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Setembro Dourado: por que é tão importante falar sobre câncer infantojuvenil

RS deve registrar cerca de 430 novos casos da doença em crianças e adolescentes neste ano, aponta o INCA

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Câncer infantil Divulgação / Arquivo Pessoal

Setembro é o mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, e o alerta tem razão de ser no Rio Grande do Sul. A estimativa do INCA aponta cerca de 430 novos casos no estado neste ano. No Brasil inteiro, são 7.560 por ano entre crianças e adolescentes de zero a 19 anos, e o Sul do país aparece com a maior taxa de incidência entre as regiões.

O motivo de tanta atenção não é só o número. É a velocidade. Segundo a hematologista pediátrica Virgínia Nóbrega, o câncer em adultos costuma crescer devagar, o que permite triagem por idade e histórico. Em crianças, não há como prever quando ou em quem a doença vai aparecer. Os primeiros sintomas surgem em 30 ou 40 dias, e o quadro já pode estar avançado. Em três meses, pode já haver metástase. Some-se a isso outro problema: os sinais costumam se parecer com males comuns da infância, o que atrasa a busca por exames.


O caso de Arthur Martins Dornelles, de Porto Alegre, ilustra bem esse cenário. Aos 11 anos, ele sentiu uma dor forte na boca depois de comer um coraçãozinho de galinha. A dor não parava de aumentar, e ele, que raramente chora, começou a chorar. Os pais o levaram à dentista, que medicou e encaminhou para exames. Em poucos dias veio o diagnóstico: linfoma não-Hodgkin, câncer que atinge as defesas do organismo. Foram quatro meses internados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e quatro ciclos de quimioterapia, com reações alérgicas e perda de peso pelo caminho. Ao final do tratamento, um PET-CT mostrou regressão total do tumor. Hoje, aos 14 anos, Arthur segue em acompanhamento, com exames a cada quatro meses, e diz ter aprendido a valorizar mais o tempo com a família.

Reportagem de Eduardo Pinzon, exibida na Rio Grande Record, acompanhou esse caso e mostrou também o papel do Instituto do Câncer Infantil (ICI) nesse processo. A entidade, fundada em Porto Alegre em 1990 pelo médico Algemir Lunardi Brunetto em parceria com o jornalista Lauro Quadros, ajudou a construir o Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital de Clínicas, com 27 leitos, ainda nos anos 1990. Hoje mantém uma linha telefônica gratuita, o Tele Oncoped (0800 511 2121), pela qual médicos de todo o Estado podem consultar especialistas sobre casos suspeitos e agilizar o encaminhamento a centros especializados.


Falar sobre câncer em criança nunca é confortável, e talvez seja exatamente por isso que o tema exige mais espaço, não menos. Quando os primeiros sinais se confundem com qualquer mal-estar infantil, a diferença entre investigar cedo e esperar pode definir o resultado do tratamento. O trabalho de mais de 30 anos do Instituto do Câncer Infantil existe para reduzir essa distância, e é isso que o Setembro Dourado se propõe a lembrar.

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