Por que o medo de voar parece maior do que o risco real? Entenda
Especialista explica como o cérebro amplia a percepção de perigo, apesar dos milhões de voos que acontecem em segurança todos os anos
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Basta uma turbulência mais forte ou a repercussão de um acidente aéreo para que o medo de voar volte a preocupar muitos passageiros. Embora essa sensação seja comum, os dados mostram um cenário bem diferente da percepção criada pelo cérebro.
Segundo o relatório mais recente da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), divulgado em março de 2026, a aviação comercial realizou 38,7 milhões de voos em todo o mundo em 2025, transportando 4,53 bilhões de passageiros.
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Nesse período, foram registrados apenas 51 acidentes, o equivalente a 1,32 acidente por milhão de voos, mantendo o avião como o meio de transporte mais seguro para viagens de longa distância.
Mesmo assim, muitas pessoas enfrentam ansiedade antes de embarcar. Para Lito Sousa, fundador do Lito Group, piloto e mecânico aeronáutico, o medo costuma estar mais ligado à forma como o cérebro interpreta situações de incerteza do que aos riscos reais da atividade. Com mais de 40 anos de experiência no setor, sendo 36 deles na aviação comercial, ele é um dos pioneiros no Brasil no estudo da aerofobia.
“Quando entramos em um avião, abrimos mão do controle da situação. Para pessoas mais ansiosas, isso pode gerar desconforto. Além disso, quando um acidente recebe grande cobertura da imprensa, é comum surgir a sensação de que voar ficou mais perigoso, mesmo que os dados indiquem o contrário”, afirma.
Segundo o especialista, o cérebro humano tende a registrar com mais intensidade acontecimentos que despertam medo ou forte impacto emocional. Por isso, um acidente permanece na memória por muito tempo, enquanto milhões de voos que chegam ao destino sem qualquer problema praticamente não recebem atenção.
“Um acidente vira notícia durante dias. Já os pousos e decolagens realizados normalmente não chamam atenção. Isso aumenta a percepção de risco, mas não significa que o risco realmente tenha aumentado”, explica.
Por que sons e turbulências assustam?
Além da repercussão de acidentes, a falta de familiaridade com o funcionamento das aeronaves também contribui para a insegurança. Sons durante o voo, alterações na potência dos motores e turbulências costumam ser interpretados como sinais de perigo.
“Muitas pessoas associam qualquer barulho diferente a uma falha. Na realidade, esses sons fazem parte da operação normal da aeronave. O mesmo vale para a turbulência, uma condição prevista e para a qual pilotos e aviões são preparados”, aponta Lito Sousa.
Para o especialista, compreender melhor esses processos ajuda a reduzir a ansiedade durante a viagem.
O que pode ajudar a diminuir o medo de voar?
Algumas atitudes podem tornar a experiência mais tranquila:
- Buscar informações sobre aviação em fontes confiáveis;
- Evitar o consumo excessivo de notícias sensacionalistas antes da viagem;
- Priorizar horários de voo que favoreçam descanso e conforto;
- Utilizar técnicas de respiração para controlar a ansiedade;
- Procurar acompanhamento especializado quando o medo começar a afetar a rotina.
“Conhecimento reduz a insegurança. Quanto mais entendemos como a aviação funciona, mais conseguimos substituir o medo por confiança. E, quando esse receio interfere na qualidade de vida, buscar ajuda pode fazer toda a diferença”, afirma.
Para Sousa, sentir medo de voar é uma reação natural, mas não precisa limitar a vida das pessoas. Com informação e, quando necessário, apoio profissional, é possível compreender melhor a ansiedade e tornar a experiência de viajar muito mais tranquila.
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