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Do porão ao Napa Valley: a trajetória de dois amigos que transformaram vinho em negócio

Com algumas caixas de uva, eles fizeram um vinho no porão de casa e transformaram a experiência em uma vinícola com alcance internacional

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi iniciaram a produção de vinho no porão da casa dos pais de Ricardo com recursos limitados.
  • Após a primeira produção, enfrentaram dificuldades para vender, mas tiveram o apoio inicial da família.
  • Os amigos trabalharam em uma vinícola no Napa Valley, nos EUA, e, em 2019, fundaram a Foppa e Ambrosi, expandindo para o mercado norte-americano.
  • A vinícola se destacou internacionalmente, com exportações para a Europa e reconhecimento em guias especializados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os vinhos feitos no porão Foto: Arquivo pessoa

Dois jovens amigos, algumas caixas de uva e um sonho de produzir vinho. A jornada de Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi começou quando eles tinham 21 anos.

Eles se conheceram na primeira escola de Enologia do Brasil, o Instituto Federal de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Diferentemente de muitas histórias do setor, os dois não vieram de famílias ligadas à vitivinicultura.


Vinificaram juntos o primeiro vinho na garagem da casa da família Ambrosi com a ajuda da colega de formação Pietra Possamai

E o primeiro vinho foi feito no porão da casa dos pais de Ricardo.

A experiência revelou que havia algo além de uma produção entre amigos: existia potencial para transformar a ideia em negócio.


“A gente fez um vinho bem legal para as condições que a gente tinha naquele porão, e isso animou a gente a pensar em produzir numa escala maior para comercializar”, afirmou Foppa.

O que surgiu de forma improvisada logo incorporou técnicas que demonstravam preocupação com a qualidade desde os primeiros lotes. Mesmo com recursos limitados, a dupla buscou alternativas para reproduzir processos utilizados em vinícolas estruturadas.


“A gente fez lotes de microvinificação com controle de temperatura usando garrafa PET congelada, levedura selecionada e carvalho alternativo”, explicou Foppa.

Vinho pronto. Hora de comercializar.


“Eu tinha certeza de que colocaria no site e venderia no dia seguinte,” disse, sorrindo, Foppa.

Mas a realidade foi diferente.

“Não aconteceu nada. Aí a gente recorreu à família”, comentou Foppa.

E foi dentro de casa que surgiu a primeira grande cliente da vinícola.

“Minha avó foi a pessoa que mais comprou vinho. Ela comprou uma caixa. Ela ainda tem garrafas até hoje guardadas,” comentou Foppa.

Depois dessa primeira experiência, os amigos decidiram ir para os EUA para trabalharem em uma vinícola do Napa Valley - Rombauer Vineyards. Passaram por um período por lá e retornaram ao Brasil.

Foppa e Ambrosi trabalhando na vinícola do Napa Valley - Rombauer Vineyards

Começam a vinificar volumes comerciais e, em 2019, a Foppa e Ambrosi foi registrada. O espírito empreendedor levou a vinícola a dar um passo pouco convencional para empresas jovens do setor: buscar espaço no mercado norte-americano. Em 2021, a vinícola abriu uma operação em Napa Valley, na Califórnia, tornando-se a primeira vinícola originalmente brasileira a produzir vinhos nos Estados Unidos.

O vinho Foppa & Ambrosi, Napa Valley Foto: Arquivo pessoal

“Antes mesmo de comprar a uva, eu peguei o CNPJ americano e mandei mensagem para vários contatos que eu tinha no celular dizendo: ‘Somos a primeira vinícola brasileira a ter operação nos Estados Unidos’”, contou Foppa.

Para ele, comunicar também faz parte do negócio.

“A galinha não pode só botar ovo, ela precisa cantar. A gente sempre foi muito bom de cantar e espalhou essa notícia antes mesmo de ter a uva comprada,” disse Foppa.

GOAT 2022, Greatest of all Time Foto: Arquivo pessoal

A estratégia chamou atenção e ajudou a projetar a marca. Segundo ele, a experiência internacional trouxe aprendizados que ultrapassaram a operação comercial.

“Se destacar entre cerca de duas mil vinícolas em Napa Valley, uma das regiões vitivinícolas mais conhecidas dos Estados Unidos, não é simples”, afirmou Foppa.

Lucas Foppa com os rótulos da degustação especial Foto: Arquivo pessoal

E, a partir daí, a colheita foi excepcional. A vinícola ampliou a presença internacional com exportações para a Europa, uma parceria no Uruguai e reconhecimentos importantes, como pontuações no guia Descorchados e avaliações de James Suckling.

*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Wine South America*

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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