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Angelo Gaja: ‘O verdadeiro problema não é o mercado. É a mudança climática’

Um dos maiores nomes da vitivinicultura mundial afirma que o futuro passa por qualidade, educação do consumidor e adaptação

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Angelo Gaja, da vinícola Gaja Foto cedida: Civiltà del bere

“O vinho italiano tem uma força extraordinária”, disse Angelo Gaja, um dos mais respeitados produtores de vinho da Itália e uma das personalidades mais influentes da vitivinicultura mundial.

À frente da vinícola familiar Gaja, em Barbaresco, no Piemonte, ele liderou a revolução da qualidade dos vinhos italianos a partir dos anos 1970. “Nós inventamos um vinho novo. Nós inventamos um vinho de qualidade”, disse.


Reconhecido como um dos grandes embaixadores do vinho italiano, Gaja é uma voz influente em temas como sustentabilidade, consumo, inovação e valorização do vinho como expressão de cultura, território e identidade.

Durante o talk show I tenori del vino italiano, ele reconheceu os desafios enfrentados pela vitivinicultura, mas insistiu que a Itália construiu, nas últimas décadas, um patrimônio de qualidade, identidade e diversidade capaz de enfrentar as turbulências do mercado.


Para Gaja, é importante separar a situação italiana daquela vivida por outras regiões produtoras, especialmente Bordeaux.

Na avaliação do produtor, quem investiu em qualidade, reputação e construção de marca continua atravessando o momento com relativa estabilidade.


“Quem trabalhou bem, quem fez qualidade, quem criou imagem, quem promoveu... não vai mal”, ponderou.

Mas, para ele, o maior desafio do vinho hoje não está nas vendas. “Ruim é a mudança climática”, ressaltou.


Ele lembrou que, no início de sua carreira, jamais imaginava iniciar a vindima em agosto. Hoje, as colheitas são cada vez mais precoces, as chuvas diminuíram significativamente e as noites tropicais se multiplicaram.

Essas alterações aceleram a maturação das uvas e mudam o perfil dos vinhos, justamente em um momento em que o consumidor procura rótulos mais leves, frescos e com maior acidez.

Outro ponto central da palestra foi a necessidade de controlar a oferta. “Provavelmente chegou o momento de produzir menos e produzir melhor”, disse.

Na visão dele, reduzir a produção é um passo essencial para aumentar o valor do vinho italiano e fortalecer sua imagem internacional.

O produtor também fez uma defesa enfática do vinho como principal expressão do Made in Italy. “O vinho italiano é absolutamente o campeão do Made in Italy”, afirmou.

Ao falar sobre comunicação, Gaja apresentou uma posição pouco comum. Embora seja defensor do consumo responsável, afirmou que nunca gostou do uso excessivo da palavra “moderação”.

“Devemos aprender a beber com medida, com consciência, com educação e com bom gosto”, ponderou.

No encerramento, Gaja voltou a destacar aquilo que considera a maior riqueza da Itália: a diversidade de seus produtores. Para ele, grandes grupos e pequenas vinícolas familiares desempenham papéis complementares e não podem ser analisados da mesma forma.

“Vocês são os campeões.” Eu concordo com ele.

*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Italian Trade Agency

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