Expedição do Campo à Taça: Uma imersão no coração da vitivinicultura brasileira
Entre vinícolas, paisagens e histórias familiares, território amplia sua relevância no turismo e no vinho brasileiro

Estar no Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, é perceber rapidamente que a região vai muito além do vinho.
O território, formado pelos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, reúne tradição, turismo, gastronomia e desenvolvimento econômico em torno de uma mesma identidade: a uva.
Responsável pela articulação e preservação desse ecossistema está a Aprovale, Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, fundada em 1995 por seis vinícolas com o objetivo de fortalecer a região e preservar suas características produtivas e culturais. Hoje, a entidade reúne 88 associados entre vinícolas, restaurantes, hospedagens, agroindústrias, varejo e agentes ligados ao enoturismo.
“Nesses trinta anos, além de desenvolvermos o vinho como principal produto e fio condutor do Vale dos Vinhedos, também passamos a olhar com mais atenção para a paisagem vitivinícola”, explicou Bruna Dachery, diretora executiva da entidade.

O crescimento da região passou a exigir planejamento. A expansão do turismo e a chegada de novos investimentos reforçaram a necessidade de preservar características locais e estabelecer critérios para o desenvolvimento sustentável.
“O Vale dos Vinhedos ainda atrai muitos investimentos e precisa ter critérios para garantir que continue crescendo de forma organizada e preservando sua essência”, afirmou Bruna.
Ao longo das últimas décadas, o fortalecimento também ocorreu por meio da gastronomia e da hospitalidade. Hoje são mais de 600 leitos entre hotéis e pousadas.
“Nós conseguimos desenvolver a hospitalidade. Crescemos nesse processo, mas preservando aquilo que temos de mais bonito e essencial na região,” disse Bruna.

O Vale dos Vinhedos recebe aproximadamente 450 mil visitantes por ano, segundo estimativas da prefeitura de Bento Gonçalves. O perfil predominante é formado por turistas adultos, principalmente das regiões Sul e Sudeste, muitos deles em busca de experiências autênticas.
“Eles não vêm apenas pelo vinho. Vêm em busca de refúgio, tranquilidade, acolhimento e contato com experiências mais intimistas,” comentou Bruna.
Uma pesquisa realizada em parceria com o Sebrae e Sicredi ajudaram a compreender melhor esse comportamento.
“Hoje já temos catalogado o perfil do visitante: quanto ele recebe, quanto gasta, o que busca e o que entende que precisa ser melhorado. A partir desses dados conseguimos direcionar melhor nossas ações,” explicou Bruna.
O estudo também apontou uma mudança importante no comportamento dos turistas.
“O visitante que retorna ao Vale quer mais do que degustação. Ele busca novas experiências, quer descobrir algo diferente. O Vale dos Vinhedos precisa estar sempre oxigenado com novos projetos e ideias para continuar despertando interesse,” comentou Bruna.
A nova identidade visual da região acompanha essa transformação.
“A nova marca foi pensada considerando a diversidade do vinho como expressão do território. Queremos mostrar que estamos atentos às mudanças e trabalhando continuamente com novas ideias e projetos”, finalizou Bruna.
A visita à Vinícola Torcello começou com uma recepção conduzida por Rogério Valduga, que compartilhou um pouco da história da chegada dos imigrantes italianos à região.

O encontro prosseguiu com a apresentação e degustação de seis vinhos e um bate-papo enriquecedor com Everton Mello Freires, da Almaúnica; Lucas Brandelli, da Don Laurindo; Rogério Valduga, da Torcello; e Luciano Weber, da Valhalla.
(Inserir foto dos vinhos degustados)
Além da descoberta do sabor único de cada vinho, algo que chamou atenção foram os rótulos e as garrafas mais robustas.
Nos vinhos de guarda, modelos mais pesados e escuros não representam apenas uma escolha estética. Eles ajudam a proteger a bebida da luz e do calor, contribuindo para a conservação e maior longevidade do produto.
Os rótulos também carregam histórias. Um exemplo é o Três Dons, da Don Laurindo, um Merlot D.O.V.V (Denominação de Origem Vale dos Vinhedos). O desenho traz as mãos de Ademir, Lucas e Moisés, simbolizando gerações ligadas à produção. Produzido a partir da safra de 2020 — considerada uma das melhores da região — o vinho permaneceu por 24 meses em barricas de carvalho francês e custa cerca de R$ 390.

O destaque final da primeira manhã da Expedição Campo à Taça ficou para o vinho coletivo 10 Lotes Vale dos Vinhedos, também D.O.V.V., desenvolvido por dez vinícolas a partir de parcelas selecionadas e seguindo critérios definidos pela indicação geográfica da região.
O rótulo reúne características do terroir local e nasce da combinação de diferentes interpretações do mesmo território.
O resultado é um vinho com notas mais complexas, aromas que remetem a frutas maduras e especiarias e características ligadas à expressão regional. Comercializado pela Aprovale, o rótulo custa aproximadamente R$ 488.

No Vale dos Vinhedos, o vinho continua sendo o protagonista. Mas, cada vez mais, é a experiência construída ao redor dele que fortalece a identidade e impulsiona o futuro da região.
Quer saber mais sobre essa visita? Acompanhe os próximos capítulos da expedição Campo à Taça no Instagram e no Mundo Agro - YouTube.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou à convite da Wine South America*
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