Indústria aposta em inovação e novos hábitos de consumo
Estudo aponta como tecnologia, custo e hábitos culturais moldam o futuro da alimentação
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A 4ª edição do estudo Food Trends by Chefs 2026, elaborada por especialistas do Culinary Center da Cargill, analisou hábitos alimentares globais para identificar tendências que devem moldar restaurantes, gôndolas de supermercados e a mesa do consumidor brasileiro.
Movimentos que antes surgiam de forma isolada agora se conectam a fatores como tecnologia, custo e acesso, influenciando desde o desenvolvimento de produtos até a experiência no food service.
Em entrevista ao Mundo Agro, o chef Luis Nicolette, à frente do desenvolvimento culinário para R&D Latam da Cargill, afirma que 2026 tende a consolidar tendências como o aumento do consumo de proteínas, a personalização da alimentação e a adaptação de referências globais ao paladar brasileiro.

Mundo Agro: O que diferencia o cenário de tendências de 2026 em relação aos últimos anos no Brasil?
Luis Nicolette: O diferencial de 2026 é a transição de dietas rígidas para regimes mais variados, equilibrados e culturalmente conectados. Enquanto anos anteriores focaram em restrições, 2026 é marcado pela “newstalgia” — um novo olhar para resgatar ingredientes ancestrais e processos tradicionais, sabores mais inventivos, explorar texturas e aromas inusitados nos alimentos e a proteína ganhando muita notoriedade.
Além disso, a inteligência artificial assume um papel central na hiper personalização da nutrição, cruzando dados de hábitos e até estudos de DNA para guiar escolhas individuais.
Mundo Agro: Quais dessas tendências têm maior potencial de se consolidar no food service brasileiro e quais ainda são mais conceituais?
Luis Nicolette: Consolidação: a “protein fever” (proteína em tudo, de cafés a sobremesas) e o enriquecimento por fibras já mostram forte tração comercial. O “jogo de porções”, que oferece flexibilidade nos tamanhos das refeições para atender metas de saúde e custo, também é uma demanda crescente, especialmente para a Geração Z.
Conceitual: a transição total para cozinhas 100% elétricas por questões climáticas e a nutrição baseada em epigenética personalizada por IA ainda estão em fases iniciais de adoção em larga escala no Brasil, embora já guiem o P&D da indústria.
Mundo Agro: Até que ponto o consumidor brasileiro está aberto a influências como a culinária caribenha ou indiana?
Luis Nicolette: O consumidor está altamente receptivo, impulsionado por virais em redes sociais e séries de streaming. A culinária indiana sofisticada está deixando de ser um nicho devido ao interesse em especiarias intensas. Já a cozinha caribenha é apontada como a “estrela” do próximo ano por trazer ingredientes como o tempero jerk e frutas tropicais (goiaba, maracujá) para pratos salgados e drinks. O brasileiro demonstra essa abertura criando fusões próprias, como o “shawarma brasileiro”.
Mundo Agro: Como essas tendências dialogam com questões como custo, acesso e escala na cadeia de alimentos?
Luis Nicolette: As tendências dialogam através de “trade-offs” (trocas estratégicas): os consumidores monitoram orçamentos, mas buscam “pequenos luxos” ou guloseimas premium para consumo em casa. A indústria utiliza a tecnologia e a IA para otimizar cadeias de suprimentos e criar sugestões de compras mais inteligentes e econômicas. A sustentabilidade agora exige que marcas contribuam positivamente para a sociedade, tornando a alimentação saudável mais acessível.
Mundo Agro: O movimento de “globalização do paladar” veio para ficar ou tende a se adaptar aos ingredientes locais?
Luis Nicolette: O movimento é híbrido: ele veio para ficar, mas utiliza a adaptação local como diferencial. O consumidor viaja através do prato, experimentando sabores do mundo para quebrar a rotina. Vemos sabores globais (como kimchi ou rasta pasta) sendo integrados a formatos familiares como massas e sanduíches, enquanto superalimentos locais, como o camu-camu da Amazônia, ganham relevância nessas novas composições globais.
Mundo Agro: Como a indústria transforma essas tendências em produtos viáveis para o varejo?
Luis Nicolette: A transformação ocorre pela aplicação de conceitos de alta gastronomia em categorias de massa. Exemplos incluem a adição de fibras e proteínas a refrigerantes e purês instantâneos e o desenvolvimento de “meal hacks” (refeições gourmet congeladas ou estáveis em prateleira) que entregam complexidade sensorial com preparo rápido de menos de 30 minutos.
Mundo Agro: Quais são os principais desafios para escalar tendências gastronômicas no mercado brasileiro?
Luis Nicolette: Os desafios incluem manter a saudabilidade sem sacrificar o sabor, que continua sendo o fator número 1 na decisão de compra. Há também a pressão de preços, já que 43% dos consumidores citam o custo como fator decisivo. No campo da sustentabilidade, o desafio é garantir rastreabilidade total e desmatamento zero em cadeias complexas.
Mundo Agro: Como estudos como o Food Trends by Chefs influenciam decisões estratégicas dentro da indústria?
Luis Nicolette: Esses estudos permitem que as empresas antecipem a dinâmica do mercado e orientem seus esforços de formulação para seguir tendências em vez de combatê-las. Eles servem para abastecer o pipeline de inovação com temas que realmente geram valor para o consumidor final e para os parceiros comerciais da indústria.
Mundo Agro: Existe um “gap” entre o que nasce na alta gastronomia e o que chega ao consumidor final?
Luis Nicolette: Esse gap está diminuindo rapidamente devido às redes sociais. O que antes levava anos para filtrar da alta cozinha para as massas agora viraliza no TikTok e vira produto de varejo quase simultaneamente. A indústria está fechando esse espaço ao lançar lattes artesanais e pratos de inspiração indiana ou caribenha em formatos prontos para o consumo.
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