O custo invisível dos defensivos ilegais
Contrabando e falsificação de defensivos seguem desafiando a fiscalização e colocando em risco a produção agrícola
O mercado clandestino de insumos representa um dos principais desafios para a segurança da produção agrícola, a proteção ambiental e a competitividade do setor.
Estimativas do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf) indicam que cerca de 25% do mercado brasileiro de defensivos agrícolas é ilegal.
Sem controle de origem, composição ou eficácia, esses produtos falsificados ou contrabandeados podem comprometer lavouras, ampliar os riscos de contaminação ambiental e gerar prejuízos para toda a cadeia agrícola.
O enfrentamento da ilegalidade exige cooperação entre indústria, órgãos de fiscalização e produtores. Em um setor cada vez mais orientado por tecnologia, rastreabilidade e sustentabilidade, combater o mercado clandestino tornou-se tão estratégico quanto aumentar a produtividade no campo.
A região Sudeste concentra a maior parte das apreensões de produtos falsificados, especialmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Já os casos de contrabando são mais frequentes nas regiões Sul e Centro-Oeste, sobretudo em áreas de fronteira com a Argentina e o Paraguai.
Levantamento da CropLife Brasil mostra que, entre 2020 e 2025, cerca de 1,6 mil toneladas de insumos ilegais foram destruídas após apreensões realizadas por órgãos públicos.
“A destinação ambientalmente correta de insumos ilegais, em especial de defensivos químicos, é um compromisso institucional da indústria de tecnologias agrícolas do país. À frente desse processo, a CropLife Brasil articula com órgãos federais e estaduais para apoiar as ações de fiscalização e retirada de produtos ilícitos de circulação, assegurando que as autoridades possam atuar sem a preocupação com a destinação final dos itens apreendidos. Anualmente, divulgamos o balanço que ilustra o volume desse prejuízo ao setor regulado. A cooperação é a resposta-chave para o enfrentamento desse tipo de crime”, afirmou Nilto Mendes, gerente de Combate a Produtos Ilegais da entidade.
Após a apreensão, os materiais passam por processos de acondicionamento, armazenamento e transporte até unidades licenciadas para destruição. A etapa final ocorre por meio de incineração em temperaturas superiores a 900°C, em conformidade com as normas ambientais vigentes.
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