O poeta cadeirante da FEICORTE
Entre um motorista de aplicativo e um poeta cadeirante, uma viagem a Presidente Prudente revelou que são as pessoas, e não os destinos, que transformam o caminho
Presidente Prudente (SP) é dessas cidades que parecem guardar pessoas boas por metro quadrado. A cada retorno, é como se a cidade abrisse pequenas janelas: novas conversas, novos encontros, novos rostos que acolhem a gente sem alarde, mas com presença.
Nesta última passagem, dois encontros ficaram comigo de um jeito diferente.
O primeiro foi o senhor Mario, motorista de aplicativo. Ele não foi só quem me levou de um ponto a outro durante os dias de FEICORTE. Ele cuidou. Perguntou se estava tudo bem, indicou onde comer uma boa pizza, sugeriu um almoço antes da volta para a capital. Pequenos gestos, desses que não entram em roteiro, mas ficam. Porque, no fundo, é isso que faz uma viagem deixar de ser deslocamento e virar experiência: o cuidado que não estava previsto.
O segundo encontro foi com Fábio da Silva Lopes, o poeta cadeirante.
No meio da feira, na multidão, ele me encontrou — ou foi o contrário, nunca se sabe. Há encontros que não obedecem lógica.

Fábio é desses exemplos que dispensam apresentações. Complicações no parto deixaram sequelas que o acompanharam por toda a vida. A escola não fez parte da sua infância, mas a mãe, Neuza, e as irmãs lhe ensinaram a ler. O mundo, para ele, nunca veio pronto. Foi sendo construído aos poucos, palavra por palavra, livro por livro, sonho por sonho.
E talvez por isso a leitura nele tenha virado mais do que aprendizado: virou caminho.
Um dos seus textos, Cadeira Amiga, me fez repensar em muitas coisas. Ele estava na FEICORTE, a Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, como expositor. E ali, entre máquinas, negócios e discussões do setor, havia poesia. Havia o Fábio.
Foi então que entendi: alguns encontros não acontecem por acaso. Eles acontecem para deslocar alguma coisa dentro da gente.
E ficam.
E os amigos da vida? E nós, na vida? E o saber do mundo?
Talvez tudo isso seja só isso mesmo: encontros e poesia.
Voa, Fábio.
E que bom que a vida, de algum jeito, nos fez se encontrar por entre feiras, estradas e palavras.
Alô, editoras! Bora ajudar o poeta?
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da FEICORTE*
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