Produção recorde, preço menor: o desafio da pecuária brasileira
País é líder global em produção e exportação, mas ainda enfrenta defasagem no preço da carne frente a concorrentes

O Brasil é líder mundial na produção e exportação de carne bovina, mas ainda recebe menos que seus principais concorrentes quando o assunto é valor agregado.
A zootecnista Liliane Suguisawa, especialista em ultrassonografia de carcaça e qualidade da carne bovina e diretora técnica da DGT Brasil, disse durante palestra na FEICORTE que a qualidade da carne será o principal diferencial competitivo da cadeia nos próximos anos, impulsionada pela seleção genética e pelo uso de tecnologias capazes de identificar animais superiores ainda em vida.
O próximo salto da pecuária brasileira depende menos de produzir mais e mais de produzir melhor.

“Não somos reconhecidos no preço pago pela nossa carne no mercado internacional, ”pontou.
Segundo Liliane, enquanto os Estados Unidos comercializam a tonelada de carne bovina por cerca de US$ 9 mil, o Brasil vende praticamente pela metade desse valor. Argentina e Uruguai também conseguem preços superiores.
“Somos grandes, porém não somos os melhores,” ponderou.
E o que explica essa diferença? Qualidade da carne, especialmente ao marmoreio — gordura intramuscular associada à maciez, sabor e suculência, e cada vez mais valorizada pelos mercados premium.
E o grande aliado para reverter esse cenário é o uso da ultrassonografia de carcaça como ferramenta de seleção genética. A tecnologia permite avaliar, ainda em animais vivos, características como área de olho de lombo, espessura de gordura e marmoreio, acelerando o ganho genético dentro dos rebanhos.
E é essa metodologia que transformou a pecuária norte-americana.
“Qualidade de carne não é raça. É tecnologia e processo de produção,” disse.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da FEICORTE
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