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‘RG digital do boi’ cria nova forma de financiar o rebanho

Modelo desenvolvido para operações de crédito busca reduzir riscos, ampliar a capacidade de financiamento e diminuir o custo do capital

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Nova tecnologia permite usar rebanho como garantia de crédito, através de identificação digital de cada animal.
  • Tokenização dos animais, registrada em blockchain, facilita a análise de crédito e reduz a necessidade de garantias físicas.
  • Monitoramento digital do gado aumenta a confiabilidade e pode diminuir o custo do capital para produtores rurais.
  • Modelo piloto envolveu 10 animais, mas tem potencial para escalar, especialmente em áreas maiores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

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Conseguir crédito usando o próprio rebanho como garantia pode ficar mais simples com a ajuda da tecnologia. Uma nova estrutura de financiamento permite identificar e monitorar cada animal digitalmente, reunindo informações sobre saúde, comportamento e alimentação.

A proposta é transformar esses dados em uma garantia mais segura para as instituições financeiras. Com a tokenização, cada animal recebe uma identificação digital registrada em blockchain e pode ser vinculado a uma operação de crédito.


O Mundo Agro conversou com Luiz Conrado Sundfeld, CFO da BMP.

Mundo Agro: Como funciona, na prática, a tokenização do gado e de que forma esse “RG digital” muda a maneira como bancos e instituições financeiras avaliam o animal como garantia?


Luiz Conrado Sundfeld: A tokenização é uma identidade digital criptografada, protegida por blockchain, e é um ponto importante para cada animal do rebanho. Esse animal passa a ser monitorado no campo, dentro da fazenda, por meio de sensores ou coleiras. O sensor é uma coleira com inteligência artificial que acompanha a saúde do animal, a ruminação, o comportamento, a alimentação etc.

A tokenização fica atrelada a um título financeiro, no caso, uma CPR-F, uma Cédula de Produto Rural Financeira. O token acaba sendo o lastro dessa dívida, desse instrumento financeiro. E isso afeta diretamente a análise de crédito.


Quando você usa o animal como garantia, precisa de visita técnica, acompanhamento veterinário e um monitoramento físico muito mais complexo. Com a tokenização e a coleira, todo esse acompanhamento passa a ser remoto. As informações, inclusive sobre a qualidade do rebanho, ficam acompanhadas de forma digital.

Isso permite reduzir significativamente o tamanho da garantia, ou seja, o ratio da quantidade de animais ou do valor equivalente em animais que você precisa ter para uma relação de dívida.


Se antes era necessário ter 1,5 ou duas vezes o valor da dívida em garantia, esse número pode cair para 1,2, 1,1 ou, no máximo, 1,25. Você reduz significativamente a alavancagem sobre o plantel e, consequentemente, pela rastreabilidade e pela tokenização, pode até reduzir o custo financeiro da operação.

Mundo Agro: Se o animal passa a ser um ativo monitorado digitalmente e utilizado como garantia financeira, estamos diante de uma nova forma de enxergar o patrimônio do produtor rural?

Luiz Conrado Sundfeld: Sim, absolutamente. Você consegue reduzir a quantidade de garantias e, ao mesmo tempo, trazer mais confiabilidade para o credor. Com isso, pode acessar um custo de capital mais barato.

O monitoramento traz muita segurança e, com o token protegido pela blockchain, você tem rastreabilidade e versatilidade na comercialização.

Mundo Agro: Com o monitoramento em tempo real, quanto esse novo modelo pode mudar o valor do animal como garantia e os limites de crédito oferecidos ao produtor?

Luiz Conrado Sundfeld: É exatamente o conceito do ratio, né? Às vezes, você precisa de 1,5 cabeça de gado para levantar o equivalente financeiro a uma cabeça, ou por volta disso. Isso envolve o custo e o risco do monitoramento, além de toda a burocratização.

Com a tokenização e o monitoramento atrelado, você tira parte desses obstáculos da frente. Consequentemente, consegue levantar muito mais reais potenciais por cabeça de gado.

Você aumenta sua capacidade de financiamento com o mesmo plantel e, da mesma forma, o custo financeiro tende a cair pela maior confiabilidade, tanto do monitoramento quanto da própria tokenização.

Mundo Agro: A primeira operação envolveu apenas 10 animais. Qual é o potencial de escala desse modelo e o que ainda precisa acontecer para que a tokenização do gado se torne uma ferramenta comum de financiamento no agronegócio?

Luiz Conrado Sundfeld: A primeira operação foi pequena, mas o modelo tem bastante potencial de escala. Quanto maior a área e o plantel, mais você dilui todo esse custo de infraestrutura.

Por isso, a operação não é muito viável para áreas pequenas. É uma questão de adaptabilidade.

A experiência foi pioneira e mostrou que o acesso a um capital mais barato pode trazer mais confiabilidade tanto para quem empresta quanto para quem toma o dinheiro, pelo monitoramento e pela tokenização em blockchain.

Existe um espaço muito grande para esse produto. Escalar é uma questão de adaptabilidade.

Pelo pioneirismo da estrutura, ela já ganhou bastante visibilidade dentro do setor. Agora, é uma questão de escalabilidade e adaptação. Em especial, os fundos que têm mais experiência em financiar esse segmento tendem a ter mais aderência.

Isso traz mais confiabilidade, segurança e uma garantia muito mais sólida.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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