Quando o pincel encontra a alma do campo
Com realismo e sensibilidade, Silas Torres eterniza cavalos, pessoas e histórias

No suntuoso Hotel Palácio Tangará, em São Paulo, ao descer as escadas, encontro um artista sentado. Ao lado de um piano, em uma das mãos, não havia uma partitura. Ele segurava um pincel. À sua frente, uma tela com o retrato de um cavalo. Os detalhes realistas me encantaram. Eu estava diante de um dos cavalos do Haras Frange, o premiado Inferno.
No olhar de Silas Torres, percebi a paixão pelo ofício. O interesse pelo desenho começou cedo, ainda na infância, mas foi aos 13 anos que ele dedicou-se à pintura a óleo sobre tela. Sua trajetória de sucesso o levou até grandes nomes da música sertaneja e empresários do agronegócio. São inúmeros os retratos de famílias e cavalos que ganharam vida por meio de seus pincéis. Uma de suas obras mais recentes foi o da família do cantor Sorocaba.
Mas eu quis saber de Silas qual era o maior desafio ao fazer um retrato como esse.
Com um sorriso no rosto, ele respondeu: “Captar a essência de um olhar, a afeição de uma pessoa, a expressão de um cavalo.”

A obra do animal do Haras Frange levou 15 dias para ser concluída, com os retoques finais feitos durante o leilão. Mas a mensagem que aquele olhar do Inferno me passou foi de acolhimento. Era como se o cavalo estivesse diante de mim. Incrível.
O que começou como hobby se transformou em profissão, reconhecimento e, agora, também em um projeto de sucessão familiar. Silas incentiva para que um de seus dois filhos, que também gostam de desenhar, dê continuidade a esse legado.
Para ele, esse talento é algo que “vem de Deus”.
E eu tenho certeza disso, Silas. Você retrata a essência do nosso campo.
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