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Do campo à estrada, biometano desponta como alternativa ao diesel

Estudo aponta potencial do biometano produzido a partir de resíduos orgânicos para reduzir emissões, dar novo destino a rejeitos e fortalecer a segurança energética do Brasil

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Abundância de resíduos abre espaço para expansão do biometano no Brasil Foto cedida: Instituto MBCBrasil

Transformar resíduos em combustível pode ser um dos caminhos para tornar o transporte pesado mais sustentável — e o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar essa alternativa.

A disponibilidade de resíduos agropecuários, agroindustriais e urbanos cria uma oportunidade para a expansão do biometano.


Um dos setores com maior potencial é o sucroenergético. Na safra 2024/25, cerca de 680 milhões de toneladas de cana-de-açúcar foram processadas no país, gerando aproximadamente 380 bilhões de litros de vinhaça.

O estudo From Waste to Wheels: Turning organic waste into renewable fuel for transport, do Instituto MBCBrasil, analisou o papel do biometano na transição energética do transporte.


Produzido a partir de resíduos orgânicos, o biometano transforma um passivo ambiental em fonte renovável de energia. O combustível pode ser utilizado em veículos movidos a gás natural, permitindo o aproveitamento de parte da infraestrutura e das tecnologias já existentes.

Além de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ele diminui a emissão de material particulado e outros poluentes em comparação com o diesel, dependendo da tecnologia dos veículos e dos sistemas de controle de emissões.


Os benefícios climáticos, porém, variam de acordo com a matéria-prima e o processo de produção. O estudo apontou reduções superiores a 80% nas emissões de gases de efeito estufa em determinadas rotas e destacou que o aproveitamento de dejetos animais pode apresentar um balanço climático ainda mais favorável, ao evitar emissões de metano que ocorreriam no armazenamento convencional.

O potencial também está relacionado à infraestrutura existente. Cerca de 60 usinas paulistas estão localizadas a até 20 quilômetros de um gasoduto, o que pode facilitar a conexão e reduzir custos. Projetos desenvolvidos por empresas como Cocal, Raízen e São Martinho mostram que o uso do biometano no setor sucroenergético já começa a ganhar escala.


Ainda assim, a infraestrutura é um dos principais desafios para o avanço do combustível. Ao mesmo tempo, os avanços regulatórios fortalecem as perspectivas de expansão desse combustível na matriz energética brasileira.

Mais do que uma alternativa ao diesel e ao gás fóssil, o biometano pode conectar diferentes frentes da transição energética: gestão de resíduos, geração de energia, economia circular e redução de emissões.

Do resíduo ao combustível: o potencial do biometano no transporte

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