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Feminicídios crescem 4,7% em 2025; 13,1% das vítimas tinham medida protetiva

Estudo aponta 1.568 mortes no ano, avanço da violência no interior e maioria dos crimes cometidos por parceiros ou ex dentro de casa

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Manifestação em Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres Marcelo Camargo/Agência Brasil - 07.12.2025

O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados nesta quarta-feira (4). O número representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021.

A taxa nacional chegou a 1,43 mortes a cada 100 mil mulheres.


Desde a promulgação da lei que tipificou o feminicídio, em março de 2015, o país acumula 13.703 vítimas, mantendo a violência letal contra mulheres em patamar elevado.

Um dos dados que mais chamam a atenção no levantamento diz respeito às Medidas Protetivas de Urgência. De acordo com o estudo, 13,1% das vítimas de feminicídio tinham medida protetiva ativa no momento em que foram mortas.


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A análise considera 1.127 casos registrados em 16 unidades da federação e evidencia falhas no monitoramento e na fiscalização do cumprimento dessas decisões judiciais — criadas justamente para afastar o agressor e garantir a segurança da mulher ameaçada.

O levantamento também aponta desigualdades regionais e avanço do crime em determinados estados.


As maiores taxas foram registradas no Acre (3,2 por 100 mil mulheres), em Rondônia (2,9) e em Mato Grosso (2,7). No acumulado entre 2021 e 2025, o Amapá apresentou o maior crescimento proporcional (120,3%), seguido por São Paulo (96,4%) e Rondônia (53,8%).

Os dados indicam ainda um processo de interiorização: metade dos feminicídios ocorridos em 2024 foi registrada em municípios com até 100 mil habitantes, que concentram 41% da população brasileira.


Cidades menores, taxas maiores

A pesquisa evidencia fragilidades na rede de proteção às mulheres, sobretudo nas cidades menores. Entre os municípios com até 100 mil habitantes, apenas 5% contam com Delegacia da Mulher e 3% possuem casa-abrigo.

Já entre as cidades de médio porte (entre 100 mil e 500 mil habitantes), 81% têm Delegacia da Mulher e 40% dispõem de abrigo. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, 98% contam com delegacias especializadas e 73% oferecem casas-abrigo.

Entre os 5.729 casos analisados entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas eram mulheres negras, e 36,8%, brancas. A maioria dos crimes ocorreu dentro de residências (66,3%) e, em 97,3% dos casos com autoria identificada, os autores eram homens - em sua maior parte parceiros ou ex-parceiros íntimos das vítimas.

Perfil das vítimas

Os dados revelam que o feminicídio no Brasil atinge majoritariamente mulheres negras e adultas em plena fase produtiva da vida.

Entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas eram mulheres negras, evidenciando a interseção entre desigualdades de gênero e raça na configuração da violência letal. Metade delas tinha entre 30 e 49 anos, sendo 28,3% entre 30 e 39 anos e 21,7% entre 40 e 49 anos.

Ainda que o fenômeno se concentre na vida adulta, ele não poupa outras faixas etárias: 15,5% tinham 50 anos ou mais e 5,1% eram crianças ou adolescentes de até 17 anos.

Relação vítima x agressor

O feminicídio é, majoritariamente, uma violência de proximidade. Entre 2021 e 2024, 97,3% dos agressores eram homens. Em 59,4% dos casos, o autor era o companheiro da vítima e, em 21,3%, o ex-companheiro. Outros familiares representaram 10,2% das ocorrências, enquanto apenas 4,9% dos crimes foram cometidos por desconhecidos.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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