Cooperativas de crédito chegam a gerar economia de R$ 7 mil a associados
Média nacional é cálculo feito a partir do uso dos produtos oferecidos por cooperativas; levantamento é do Sicoob
R7 Planalto|Edis Henrique Peres, enviado a Valente (BA)*
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Em 469 municípios brasileiros, a população é atendida presencialmente apenas por cooperativas de crédito. Uma dessas cidades é Cabaceiras (PB) visitada pelo R7 Planalto e conhecida por ser a Roliúde Brasileira. No entanto, além da capilaridade das agências, que tentam se aproximar dos cooperados, as financeiras alegam economia para os associados. Pesquisa do Sicoob, por exemplo, revelou que, em média, os clientes do banco economizaram em 2025 R$ 7.352.
No caso do Sicoob Coopere, que atua na região de produção de sisal do sertão baiano, a economia média foi de R$ 1.371. A cooperativa nasceu em 1993 da necessidade dos produtores locais em ter acesso a crédito. Conforme mostrado pela coluna, o ouro-verde do sertão, como é conhecido o sisal, hoje é exportado para cerca de 24 países e 90% dos produtos brasileiros vendidos no mercado internacional advém do estado nordestino.
No entanto, o que começou como uma cooperativa para ajudar produtores de sisal, hoje consegue mudar a vida de muitas pessoas. É o caso de Artur Silva Dias, 35 anos, dono de uma oficina montada em Conceição do Coité (BA). Quando tinha 18 anos, Artur decidiu empreender, mas alugava um galpão em que trabalhava em piso de terra.

“Eu não tinha a quem recorrer para conseguir um empréstimo e fui visitar para ver o que conseguia. Aqui, fui atendido super bem e onde tive apoio. Com esse dinheiro, arrumei minha oficina e hoje tenho três galpões e sete pessoas trabalhando comigo”, revela.
Para Artur, a diferença é saber que está sendo ouvido. “Cooperar é mais do que um conceito, é um modo de produzir juntos e crescer”, avalia.
Vanglebson Lima de Oliveira, 40 anos, também encontrou na cooperativa de crédito a chance de dar continuidade a um sonho.
“Sempre quis empreender. Mas em 2004, fraturei minha coluna em um acidente e comecei a fazer atendimentos [de serviços digitais] em casa. Depois, consegui comprar impressora e matéria-prima para ampliar meu negócio e criar uma gráfica que funciona aqui em Valente [BA]”, explicou.
O empreendedor também conseguiu crédito para comprar um carro adaptado, que o permite resolver as demandas da gráfica.
“No começo a gente procurou outras instituições, mas a taxa de juros estava sempre alta, E o diferencial, claro, foi o atendimento, muito claro e objetivo”, resume.
É por esses resultados que Maria Vandalva, presidente da Coopere Sicoob, defende o modelo. “Cooperar no sertão é um jeito de viver. Eu estava predestinada a estudar para sair daqui e ir para outra cidade, mas decidi estudar para mudar isso daqui. Cooperar é viver coletivamente em melhores condições”, afirmou à reportagem.
*O jornalista viajou a convite do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras)
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