Fechar agências da Caixa pode comprometer oferta de crédito habitacional, diz pesquisa
Estudo da Fenae e Contraf-CUT revela impactos de medida para população que busca acesso à política pública
R7 Planalto|Do R7, em Brasília
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A redução no número de agências da Caixa em todo o país pode comprometer o acesso da população à oferta de crédito habitacional e outras políticas públicas. A análise é de estudo do Caderno dos Estados, publicação lançada pela Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), em parceria com a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). O levantamento leva em conta dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Os dados da publicação mostram que, enquanto a Caixa amplia sua atuação no crédito, no financiamento imobiliário e na execução de programas sociais, a rede física de atendimento vem sendo reduzida em diversas regiões do país.
“A Caixa é o principal operador da política habitacional no Brasil. Por isso, a Fenae vê com grande preocupação o fechamento de agências do banco que realiza dois de cada três financiamentos de imóveis no país. Reduzir a presença física da Caixa significa dificultar o acesso da população ao crédito habitacional e às políticas públicas”, avaliou o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto.
Hoje, a Caixa responde por cerca de 70% do financiamento imobiliário no Brasil, com crescimento de 59% no valor total financiado entre 2021 e 2025. Em diversas regiões, especialmente onde bancos privados têm baixa presença, o protagonismo é ainda maior: em 20 estados, o financiamento imobiliário depende exclusivamente de bancos públicos, e a Caixa chega a responder por até 92% do crédito habitacional. Mesmo onde há concorrência privada, o banco mantém, em média, 80% das operações.
O Caderno dos Estados também evidencia a importância da Caixa para a execução de políticas públicas e programas sociais. Entre 2021 e 2025, as transferências cresceram 90% em volume e mais que triplicaram em valor, consolidando o banco como principal agente de distribuição de recursos governamentais.
No mesmo período, o Bolsa Família teve aumento de 11% no valor repassado, enquanto o Minha Casa, Minha Vida registrou crescimento de 9% nas unidades financiadas e de 63% no valor total contratado.
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Fechamento de unidades
As entidades chamam atenção para a redução da rede física de atendimento. Entre 2021 e 2025, foram fechadas 252 agências da Caixa em todo o país. Considerando um período mais amplo, entre 2015 e 2025, o número chega a 284 unidades encerradas.
Mesmo com a redução, em 2025, a Caixa ainda manteve presença em cerca de 1.602 municípios, evidenciando seu alcance territorial. No entanto, o ritmo recente de fechamento preocupa as entidades do estudo. Somente entre 2024 e 2025 foram encerradas 138 agências, além da redução em outros canais de atendimento, como 195 postos de atendimento, 807 correspondentes Caixa Aqui e 134 unidades lotéricas.
A retração ocorre em um contexto mais amplo de diminuição da presença bancária no território nacional. No Brasil, existem pouco mais de 14 mil agências bancárias em funcionamento, mas, entre 2015 e 2025, foram fechadas 8.533 unidades, sendo 1.823 de bancos públicos e 6.710 de bancos privados. Nesse mesmo período, 638 municípios ficaram sem nenhuma agência bancária, e 71 municípios perderam ao menos uma unidade da Caixa, sendo que 12 perderam a única agência existente.
“Para a Fenae e a Contraf-CUT, os dados revelam um paradoxo. Ao mesmo tempo em que a Caixa amplia sua atuação no crédito, à habitação e na execução de políticas públicas, reduz sua presença física justamente nas regiões onde sua atuação é mais necessária. Em muitas localidades, a Caixa é a principal ou única instituição financeira disponível, desempenhando papel essencial na inclusão bancária e na redução das desigualdades regionais”, alerta Takemoto.
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