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"Acabou com a vida da gente", diz madrinha um ano após a morte da grávida Kathlen Romeu

Investigação ainda não apontou responsável por disparo contra a jovem; cinco policiais militares respondem por fraude processual

Rio de Janeiro|Victor Tozo, do R7*

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Kathlen estava grávida de três meses
Kathlen estava grávida de três meses

A morte da grávida Kathlen Romeu, baleada durante ação policial no Complexo do Lins, zona norte do Rio de Janeiro, completa um ano nesta quarta-feira (8) ainda sem a conclusão das investigações sobre o responsável pelo disparo que vitimou a jovem e o bebê que ela carregava. 

Madrinha da modelo e vendedora, Monique Messias afirmou que a família viveu "um ano terrível" desde o ocorrido.

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"Acabou com a vida da gente. Foi uma coisa para me devastar, para devastar minha comadre. A Jack nunca mais foi a mesma", disse, referindo-se à mãe da vítima, Jacklline Lopes.

Monique lamentou que a trajetória da jovem tenha sido interrompida pelo que chamou de despreparo dos policiais militares. 

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"Ninguém mora na comunidade porque gosta, porque quer. Ela escolheu outra coisa, era meu orgulho. Fez faculdade, tinha se formado. Era a pessoa menos provável de acontecer uma coisa dessas", contou Monique.

Leia mais: Manifestantes pedem aprovação de projeto de lei Kathlen Romeu

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Para os próximos dias, está prevista uma série de eventos organizados por entidades públicas e da sociedade civil, além de parentes e familiares de Kathlen, que pedem justiça pela morte da jovem. No sábado (11), haverá um ato político e cultural no Complexo do Lins.

Investigações

A morte de Kathlen é investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que denunciou, em dezembro do ano passado, cinco policiais militares por fraude processual e falso testemunho.

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De acordo com a denúncia do MP, Rafael Chaves de Oliveira, Rodrigo Correia de Frias, Cláudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano retiraram materiais do local e acrescentaram 12 cartuchos de armas e um carregador de fuzil, que foram posteriormente apresentados por eles na delegacia.

O capitão da PM Jeanderson Corrêa Sodré também foi acusado de omissão, uma vez que o MP considerou que, por ser o superior hierárquico presente na ação, deveria ter agido para preservar as provas.

Em maio, onze meses após a morte de Kathlen, foi realizada a primeira audiência sobre o caso pela Auditoria da Justiça Militar do Rio. Na ocasião, foram ouvidos os policiais denunciados, além da avó, do pai e da mãe da jovem, que afirmou não ter havido operação da PM no dia e local em que a filha foi assassinada.

Em paralelo à investigação sobre a conduta dos policiais, o MP também acompanha a apuração do homicídio de Kathlen. Entre as respostas que ainda devem ser apontadas, está a identificação do responsável por disparar o tiro que atingiu a grávida.

De acordo com o órgão, a 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada aguarda que a Polícia Civil encaminhe o relatório do inquérito policial.

A Delegacia de Homicídios da Capital afirmou que está analisando detalhadamente toda a documentação produzida ao longo das investigações para encerrar o inquérito, que está em fase de conclusão.

A Polícia Militar informou, em nota, que os 12 agentes envolvidos na operação que levou à morte da jovem permanecem afastados dos serviços nas ruas. Além disso, a corporação afirmou que um inquérito policial militar está em andamento no MP.

Relembre o caso

Kathlen foi baleada quando visitava a avó no Complexo do Lins, em 8 de junho de 2021. Segundo a madrinha, ela caminhava na rua para levar comida para uma tia. A jovem não morava mais na comunidade havia cerca de um mês.

Parentes e testemunhas afirmaram que não havia operação nem confronto entre PMs e criminosos no momento em que ela foi baleada. Eles dizem que a jovem foi vítima de uma tocaia realizada por agentes, conhecida como troia.

A Polícia Militar, por sua vez, alegou que agentes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Lins estavam em patrulhamento e atiraram na direção de criminosos que haviam disparado contra os agentes.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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