Casos de transtornos mentais relacionados ao trabalho crescem no RS
Aumento de 19% em transtornos mentais coloca RS em terceiro no país
Rio Grande Record|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
O trabalho, que deveria ser fonte de renda e realização, também pode se tornar um fator de adoecimento. Antes de chegar ao afastamento, muitas vezes o corpo e a mente já dão sinais: irritabilidade, falta de concentração, desânimo e uma sensação constante de esgotamento podem indicar que o limite foi ultrapassado.
No Rio Grande do Sul, mais de 46 mil trabalhadores se afastaram do serviço por transtornos mentais em 2025, um aumento de 19% em relação ao ano anterior. O estado é o terceiro do país com mais benefícios por incapacidade temporária relacionados à saúde mental, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, e o cenário se repete em todo o Brasil.
No ano passado, a Previdência Social concedeu mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, o maior número da série histórica. Nos últimos quatro anos, os afastamentos por Burnout (estresse causado por condições de trabalho) cresceram mais de 800%.
Nova norma exige prevenção nas empresas
Diante desse cenário, a prevenção ganhou um novo reforço. Desde maio deste ano, a NR-1, norma do Ministério do Trabalho, passou a prever expressamente a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, as empresas precisam identificar, avaliar e controlar situações que podem prejudicar a saúde mental dos funcionários, entre elas os assédios moral e/ou sexual, a pressão excessiva por metas, jornadas longas, falhas de comunicação e, no trabalho remoto, o desrespeito à desconexão.
O foco da norma não é diagnosticar, individualmente, o trabalhador. A ideia é olhar para a organização do trabalho e identificar o que pode estar gerando sofrimento entre as equipes. Para quem atua na gestão de pessoas, a mudança já pode ser percebida no dia a dia.
"É preciso reconhecer os sinais antes que o quadro se agrave"
Rodrigo Silveira é administrador e gestor de recursos humanos. Hoje, ele auxilia oito empresas na criação de estratégias para tornar os ambientes de trabalho mais saudáveis. Mas nem sempre é fácil perceber que o cansaço passou do limite. Irritabilidade, falta de motivação, alterações no sono, dificuldade de concentração e esgotamento constante podem ser sinais de alerta.
O psicólogo, dr. Paulo Belmonte, explica como identificar esses primeiros sinais e diferenciar estresse, cansaço e Burnout, e reforça que a frequência e a intensidade dos sintomas são fatores importantes para essa percepção.
Empresária fechou lojas físicas após enfrentar Burnout
A empresária Bruna Tossi Longarai conhece esse processo na prática. Ela comandava quatro lojas físicas (duas em Porto Alegre e uma em Canoas), mas a rotina e os custos da operação cobraram um preço alto, levando-a a enfrentar um Burnout. Ao relembrar como percebeu o esgotamento, Bruna também fala sobre o impacto que o período teve na relação com a filha.
Depois da experiência, ela decidiu reduzir a estrutura da empresa. As lojas físicas foram fechadas, e a Bruna Trufas passou a ter foco no delivery e na redução de custos. Para ela, a mudança foi, também, uma forma de recuperar espaço para a própria vida e colocar a saúde no centro das prioridades.
Prevenção como novo caminho
Com a nova NR-1, a saúde mental passa a fazer parte, de forma mais explícita, da prevenção de riscos no ambiente de trabalho. Para o trabalhador, perceber os sinais e buscar ajuda pode evitar que o quadro se agrave. Para as empresas, a nova regra muda a lógica: não basta agir depois que alguém adoece, é preciso olhar para a rotina, corrigir problemas e criar um ambiente de trabalho mais saudável e seguro.















