Setembro Dourado: caso de menino de 14 anos alerta para diagnóstico
Setembro é o mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, uma doença que pode avançar rapidamente e que, no início, pode apresentar sinais parecidos com os de problemas comuns da infância.
Rio Grande Record|Do R7
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O diagnóstico precoce pode fazer a diferença - e a história de Arthur Martins Dornelles mostra isso na prática.
Aos 11 anos, Arthur sentiu uma dor estranha na boca ao comer um coraçãozinho de galinha. O que parecia ser um problema odontológico acabou levando a família a uma descoberta inesperada. Hoje com 14 anos, ele lembra que a dor foi piorando até os pais o levarem à dentista, que iniciou as medicações e encaminhou para exames.
A intensidade do incômodo deu início a uma série de exames, e em poucos dias veio o diagnóstico: Arthur tinha um linfoma não-Hodgkin, tipo de câncer que atinge as defesas do organismo e faz com que células anormais se multipliquem sem controle, podendo atingir diferentes regiões do corpo. Foram quatro meses internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
A mãe, Ângela Martins Gonçalves, contou que o filho passou por quatro ciclos de quimioterapia, cada um com sete dias seguidos de aplicação e vinte e um dias de pausa, com reações e alergia à medicação. Ao fim dos quatro ciclos, um exame PET-CT mostrou que o câncer havia regredido completamente, e a família passou a fazer exames de manutenção, hoje realizados a cada quatro meses.
Doença avança rápido em crianças
O caso do Arthur mostra como o câncer infantojuvenil pode aparecer de formas que, à primeira vista, parecem comuns. Por isso, além de conhecer os sinais de alerta, é fundamental que a investigação aconteça o mais cedo possível.
No Rio Grande do Sul, a estimativa do INCA para 2026 é de cerca de 430 novos casos de câncer infantojuvenil. No Brasil, são estimados 7.560 casos por ano entre crianças e adolescentes de zero a 19 anos.
A médica hematologista pediátrica Virgínia Nóbrega explica que, diferentemente dos tumores em adultos, que costumam crescer lentamente e permitir triagem, o câncer infantil se comporta de forma muito mais agressiva: os sintomas surgem em cerca de 30 a 40 dias e a doença já pode estar avançada, com metástases em três meses.
O Instituto do Câncer Infantil atua no suporte à rede de saúde por meio de um telefone, com profissionais que auxiliam médicos que atendem crianças e adolescentes com suspeita de câncer, para acelerar o diagnóstico e o início do tratamento.
Hoje, três anos depois do diagnóstico, Arthur segue em acompanhamento médico e se recupera bem. Aos 14 anos, ele diz que a experiência o ensinou a valorizar mais a família e o tempo ao lado dos pais.















