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Acusação vê “cerceamento” durante interrogatório de Gil Rugai

Promotor diz que réu optou por se esconder atrás do silêncio

São Paulo|Ana Cláudia Barros e Vanessa Beltrão, do R7

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Gil Rugai foi interrogado nesta quinta-feira (21) durante julgamento
Gil Rugai foi interrogado nesta quinta-feira (21) durante julgamento ANDRÉ LESSA/ESTADÃO CONTEÚDO

Após o fim do quarto dia de julgamento de Gil Rugai, a acusação comentou o silêncio do réu durante parte de seu interrogatório e o fato do juiz Adilson Paukoski não ter permitido ao promotor Rogério Zagallo continuar com as perguntas, mesmo após a negativa do réu em respondê-las.

Para o assistente de acusação, Ubirajara Mangini, houve “cerceamento”.


— Eu já tinha visto várias vezes a defesa ser cerceada, hoje eu vi cerceamento de acusação. Ninguém está tirando o direito do réu de ficar calado, mas os jurados têm todo o direito de saber o que a promotoria queria.

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A decisão do réu de ficar calado aconteceu logo no início das perguntas do Ministério Público. O clima ficou tenso quando o promotor indagou se alguém teria algo contra o acusado, levando-se em conta indícios que apontavam Gil Rugai como autor das mortes.


O acusado respondeu que não, e seu advogado de defesa, Marcelo Feller, decidiu intervir. Afirmou que a promotoria estava "antecipando os debates", marcados para esta sexta-feira (22), em vez de fazer perguntas objetivas.

— A defesa interrompe e recomenda a seu cliente que deixe de responder às afirmações.


O promotor defendeu o direito de ele interrogar, mesmo diante do silênico do réu, porém o juiz não autorizou.

Apesar de ficar sem as respostas do acusado, Zagallo considerou positiva a opção de Gil Rugai:

— Para mim, foi muito bom o fato de ele ter optado por se esconder atrás do silêncio, porque quem é inocente vai gritar a plenos pulmões do primeiro ao último dia.

O juiz explicou a sua decisão de não permitir que o promotor continuasse com as perguntas a partir da Constituição Federal. Segundo a carta magna, todo réu tem o direito de não produzir provas contra si e de permanecer em silêncio quando interrogado. O magistrado ainda lembrou as alterações no Código de Processo Penal com a Lei 10.792/2003 e destacou que o silêncio do acusado não poderia ser interpretado em prejuízo da defesa.

A avaliação foi de que se a acusação continuasse com os questionamentos, Gil Rugai podia ser mal interpretado pelos jurados por não responder, o que seria usado contra ele.

Quarto dia

O quarto dia do julgamento começou com os depoimentos de três testemunhas do juízo. A primeira a ser ouvida foi o ex-sócio de Gil Rugai, Rudi Otto. Ele afirmou que desconfiou do envolvimento do acusado na morte do casal. Otto foi ouvido por quase duas horas no plenário 10 do Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

Questionado pelo promotor de Justiça, Rogério Zagallo, a testemunha contou que havia visto uma arma dentro de uma "mala de fuga" de Gil. Nela, havia também facas, uma estrela ninja e selinhos com ácidos. Quando soube do crime, a testemunha contou que desconfiou do sócio e foi até o escritório da empresa que ambos tinham e procurou pela arma, mas não a encontrou.

Ele confirmou ao promotor que, na época do crime, dias após depor na polícia, começou a receber ameaças na caixa eletrônica de seu telefone. Otto ainda afirmou que ficou com “medo” do réu quando descobriu nas gavetas de seu sócio uma anotação com seu nome, o nome de sua namorada e a placa dos carros dois.

O segundo depoimento foi o de Fabrício Silva dos Santos, outro vigia que trabalhava em uma das ruas que dava acesso ao imóvel onde casal foi assassinado.

Santos afirmou que não viu nada no dia do crime e que ouviu "três barulhos". Ele contou que foi até a guarita do vigia Domingos Ramos de Oliveira, que disse que achou que o som era de uma janela batendo. Em seu depoimento, na segunda-feira (18), Domingos disse ter visto o ex-seminarista sair da casa de seu pai. A guarita de Santos fica a duas casas de distância da saída dos fundos da mansão onde moravam as vítimas.

A última testemunha do julgamento, motorista do imóvel vizinho, Francisco Luiz Valério Alves, contou que ouviu duas sequencias de disparos na noite do crime. Assustado com o barulho, seu patrão ligou para um dos vigias da rua.

Interrogatório

O momento mais esperado do dia foi o interrogatório de Gil Rugai, iniciado às 15h46, com perguntas do juiz Adilson Paukoski. Ele reiterou que era inocente e que não sabia quem poderia ter cometido o crime.

Questionado pelo magistrado se teria desentendimentos com Luiz Carlos, o réu afirmou que eles tiveram discussões algumas vezes, mas nada sério, e que ambos tinham personalidades “bem diferentes”.

Rugai descreveu o pai como uma “pessoa fácil de lidar”, mas que, como chefe, era “muito rígido. Demitia com facilidade”. Já a madrasta Alessandra foi descrita como uma pessoa “bem sociável” e que estava sempre de bom humor. Ao mencionar as vítimas, o réu se referiu sempre a elas como "papai" e "Lelê".

Gil ainda recapitulou o que fez na noite do duplo homicídio.

Ânimos acirrados

O clima ficou tenso quando o promotor Rogério Zagallo perguntou ao réu se alguém teria motivo para incriminá-lo, já que todas as provas que foram levantadas indicam que ele foi o responsável pelo duplo homicídio.

Um dos advogados de defesa, Marcelo Feller, decidiu intervir neste momento. E afirmou que a promotoria estava "antecipando os debates", marcados para sexta-feira, em vez de fazer perguntas objetivas. O julgamento, então, foi interrompido após o acusado pedir para ir ao banheiro.

Às 19h27, quando o interrogatório foi retomado, o promotor Rogério Zagallo tentou prosseguir com as perguntas, mesmo diante da negativa de Gil em respondê-las. O pedido foi negado pelo juiz, que entendeu que o réu poderia ser mal-interpretado pelos jurados, o que seria usado contra ele.

O interrogatório foi finalizado por volta das 20h30.

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