Justiça nega exame de insanidade mental à mãe acusada de matar filhas em SP
Promotoria arrola testemunhas e espera por júri popular do caso em 2014
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

A juíza Lizandra Maria Lapenna, da 5ª Vara do Júri, negou uma solicitação da defesa de Mary Vieira Knorr, de 53 anos, para que ela passasse por uma avaliação de insanidade mental na Penitenciária Feminina 1 de Tremembé, no interior paulista. É lá que ela está presa desde o dia 8 deste mês, acusada de ter matado as filhas, Paola Knorr Victorazzo, de 13 anos, e Giovanna Knorr Victorazzo, de 14, no mês passado.
Em entrevista ao R7, o promotor do caso, Rogério Zagallo, explicou que o pedido para “instauração do incidente de insanidade mental” foi indeferido pela juíza, indo de encontro à opinião sustentada pelo Ministério Público. O responsável pela acusação acredita que em algum momento do processo a avaliação psiquiátrica será o tema central dos debates, mas não agora.
— Uma hora ou outra isso será discutido, mas está prematuro agora. Ela está em Tremembé, vamos passar pela fase de instrução do processo e não temos alguns laudos ainda.
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Ele reiterou mais uma vez que não há dúvidas quanto à autoria do crime. Tanto a Promotoria, quanto a polícia ainda aguardam a conclusão dos laudos periciais para saber o que causou as mortes e quando elas aconteceram. A suspeita é de que as meninas tenham sido envenenadas ou asfixiadas pela mãe, possivelmente no dia 12 de setembro, dois dias antes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, durante o atendimento a um chamado de vazamento de gás, terem encontrado os corpos.
De acordo com o promotor do caso, uma solicitação já foi feita para que policiais do 14º Distrito Policial, responsável pela investigação, façam mais uma tentativa de ouvir Mary Knorr. Em pelo menos três visitas a um dos hospitais em que a acusada esteve internada, os policiais tentaram ouvi-la, mas não tiveram sucesso em nenhuma delas. Contudo, Rogério Zagallo acredita que o depoimento dela não muda o que, na visão da acusação, aconteceu na casa da família Knorr, no Butantã.
A primeira audiência de instrução deve acontecer em novembro, de acordo com o Ministério Público. Nela serão ouvidas as oito testemunhas arroladas pelo promotor — incluindo o ex-marido de Mary e pai das vítimas, Marco Antonio Victorazzo, e os dois filhos mais velhos da acusada, Eliane Knorr de Carvalho e Leon Gustavo Knorr de Carvalho.
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Até o fim deste mês, a defesa deve apresentar os seus argumentos por escrito à Justiça e arrolar as suas testemunhas, se julgar necessário. Nessa primeira audiência, Mary Knorr terá a oportunidade de, perante a juíza, dar a sua versão para os fatos. No avanço das audiências de instrução é que a discussão sobre a sanidade mental da acusada deve ser abordada e, para Rogério Zagallo, merecerá ser analisada por uma banca de médicos do IML (Instituto Médico Legal), que então devem atestar o fator psiquiátrico da ré.
— Aí então vamos deliberar sobre o que estará sendo discutido, sobre a avaliação de insanidade mental dela e qual é o nível de conhecimento que ela tinha na época dos crimes. O processo então [após as audiências] dará uma parada e será decidido se ela vai a júri popular ou não. Se ela for julgada normalmente, acredito que o julgamento possa ocorrer no primeiro semestre do próximo ano.
Já se for apontada a insanidade mental da acusada, ela deve passar por medidas de segurança, indo para um hospital psiquiátrico.
A reportagem do R7 tentou contato com o advogado de Mary Knorr, Lindemberg Pessoa de Assis, mas ele não foi encontrado.
O caso
As adolescentes Paola Knorr Victorazzo e Giovanna Knorr Victorazzo foram achadas mortas na tarde do dia 14 de setembro, após um chamado feito ao Corpo de Bombeiros a respeito de um suposto vazamento de gás na casa da família, no Butantã, na zona oeste da capital. Quando PMs arrombaram a porta da casa, encontraram a suspeita deitada em um sofá, dizendo que as meninas estavam mortas.
Os corpos das adolescentes, já em estado de decomposição, estavam em um quarto, cada uma em um beliche. A polícia ainda aguarda a conclusão dos laudos para saber o que causou as mortes e quando elas aconteceram. O cachorro da família também havia sido morto, com um saco plástico na cabeça, e havia indícios de que o gás da casa tivesse sido aberto.
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