Sentença do julgamento do Carandiru deve sair este sábado
Júri dos 26 acusados de participação no massacre começou na segunda-feira (15)
São Paulo|Do R7

Os 26 réus acusados de participação no massacre do Carandiru, em 1992, devem ouvir a sentença este sábado (20). O julgamento começou na segunda-feira (15), após ser adiado em uma semana, porque um dos membros do conselho de sentença passou mal no dia 8. Essa última sessão terá os debates entre defesa e acusação, a partir das 9h, no Fórum Criminal da Barra Funda.
O primeiro dia do julgamento teve o depoimento ex-detentos, chamados pela acusação. Foi ouvido um ex-funcionário do complexo prisional do Carandiru. O perito criminal que coordenou os trabalhos do Instituto de Criminalística no caso também depôs na segunda-feira. Ele falou sobre o local do crime ter sido limpo após o massacre.
No segundo dia do júri, foram ouvidos desembargadores, o ex-governador do Estado de São Paulo na época do crime, Luiz Antônio Fleury Filho, e o secretário de Segurança Pública do governo dele, Pedro Franco.
Na quarta-feira (17), o júri foi suspenso logo no início porque outro membro do conselho de sentença se sentiu mal foi e retomado por volta das 15h dia seguinte, com a leitura de peças do processo e exibição de vídeos durante três horas. A sessão foi encerrada às 18h40.
A advogada dos acusados escolheu quatro clientes para serem interrogados, na sexta-feira (19). Foram ouvidos em plenário, o comandante da segunda companhia da Rota na época, capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos; o comandante da Rota durante a invasão, major Aércio Dornellas Santos; o sargento Marcos de Medeiros e o soldado Marco Ricardo Polinato.
Como apenas 24 dos 26 réus compareceram, os outros 20 réus manifestaram ao juiz, um a um, que “seguindo recomendações da advogada e para evitar o cansaço dos jurados”, iriam permanecer em silêncio.
O juiz questionou todos os réus se eles tinham conhecimento da acusação que pesava sobre eles e perguntou se eram inocentes. Todos disseram que sim.
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta. Foram mortos 111 detentos.
Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.
Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.















