Alimentos ultraprocessados aumentam a gordura nos músculos, diz estudo
Pesquisa sugere que o consumo de ultraprocessados pode enfraquecer os músculos e contribuir para a osteoartrite
Saúde|Sandee LaMotte, da CNN Internacional
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A imagem parece uma fatia de carne com marmoreio abundante, semelhante a um corte de alta qualidade com finas listras de gordura.
Mas não é comida. É uma ressonância magnética da coxa de uma mulher de 62 anos que obtinha 87% de suas calorias anuais de alimentos ultraprocessados.
“A dieta desta participante consistia principalmente em cereais frios, doces de chocolate ou barras de caramelo, refrigerantes comuns ou bebidas açucaradas engarrafadas”, disse a Dra. Zehra Akkaya, pesquisadora e consultora do grupo de Pesquisa Clínica e Translacional em Imagens Musculoesqueléticas da Universidade da Califórnia em São Francisco.
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As listras ocultas de gordura entre e dentro das fibras musculares podem indicar problemas graves de saúde, explicou Akkaya, autora principal de um novo estudo que analisou como os alimentos ultraprocessados aumentam a gordura intramuscular em pessoas com risco de osteoporose de joelho.
Os alimentos ultraprocessados têm sido associados ao ganho de peso e à obesidade, bem como ao desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo câncer, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e depressão. Esse tipo de alimento pode até encurtar a vida.
Mais de 50% das calorias consumidas por adultos nos Estados Unidos provêm de alimentos ultraprocessados, de acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). Em crianças, esse número sobe para 62%.
Outra mulher de 61 anos no estudo também apresentava marmoreio de gordura nos músculos da coxa, embora em menor grau. Aproximadamente 29% de sua dieta anual consistia em alimentos ultraprocessados.
“Foi especialmente preocupante porque essas pessoas, examinadas em um momento em que não apresentavam sinais de osteoartrite de joelho, já mostravam uma qualidade muscular comprometida”, disse Akkaya.
As células de gordura enfraquecem os músculos ao agirem como um obstáculo ao crescimento, impedindo que as fibras musculares se regenerem adequadamente.
Músculos fracos são um fator-chave na osteoartrite de joelho, a forma mais comum de doença articular que afeta quase 375 milhões de pessoas em todo o mundo.
Embora antes fosse considerada uma doença de idosos, um estudo descobriu que mais da metade dos novos casos ocorre em pessoas com menos de 55 anos, provavelmente impulsionada pelo aumento global da obesidade.
“Os músculos da coxa são cruciais para a estabilidade da articulação do joelho, e qualquer perda de força ou tônus pode aumentar o estresse mecânico sobre a articulação, especialmente em pessoas com obesidade, onde o excesso de peso corporal amplia essa carga”, explicou Akkaya. “Nosso grupo e outros estabeleceram anteriormente fortes ligações entre a força, a qualidade e a função muscular e o desenvolvimento da osteoartrite de joelho”.
Encontrar gordura intramuscular na coxa implica que outros músculos do corpo também estão afetados, observou a radiologista Dra. Miriam Bredella, diretora do Instituto de Ciência Clínica e Translacional da NYU (Universidade de Nova York) Langone Health em Nova York.
“É um processo sistêmico, por isso não acontece apenas na coxa. Você pode observar outros músculos, as panturrilhas, os ombros, o abdômen, e eles parecerão semelhantes”, disse Bredella, que não participou do estudo.
Uma menor qualidade muscular devido à infiltração de gordura significa que os músculos não são tão fortes, o que é um preditor de futuros problemas de saúde, acrescentou.
“Se você for hospitalizado, a fraqueza muscular aumenta o tempo de internação. Se você passar por uma cirurgia, é um preditor negativo dos resultados”, disse Bredella. “Realizamos muitos estudos em pacientes com câncer: aumenta as complicações cirúrgicas, a recorrência do tumor… é negativo”.
O novo estudo, publicado na terça-feira (14) na revista Radiology, analisou ressonâncias magnéticas de 615 pessoas que participavam da Iniciativa de Osteoartrite, um estudo nacional projetado para aprender como prevenir e tratar a osteoartrite de joelho.
Nenhum dos participantes apresentava sinais dessa doença. Em média, eles tinham 60 anos e um IMC (Índice de Massa Corporal) de 27.
Ao calcular o IMC, um valor entre 25 e 29,9 é considerado sobrepeso; entre 30 e 34,9, obesidade; entre 35 e 39,9, obesidade de classe 2; e acima de 40, obesidade severa ou de classe 3.
A mulher de 61 anos cuja dieta consistia em 29,5% de alimentos ultraprocessados tinha um IMC ligeiramente mais alto, de 32,6, e um nível de atividade muito menor do que a mulher com um IMC de 31,8 cuja dieta era 87,1% ultraprocessada.
No entanto, a mulher com maior consumo de ultraprocessados apresentava significativamente mais marmoreio de gordura nas coxas.
A ingestão calórica não pareceu ser determinante, segundo o autor principal do estudo, o Dr. Thomas Link, professor e chefe da divisão de radiologia musculoesquelética da Universidade da Califórnia em São Francisco.
“Ao longo do estudo, quanto mais alimentos ultraprocessados uma pessoa consumia, mais gordura intramuscular ela tinha nos músculos da coxa, independentemente da ingestão calórica”, afirmou.
Embora o estudo não tenha conseguido provar que os alimentos ultraprocessados causaram o marmoreio de gordura nos músculos, “trata-se de uma associação forte”, disse Bredella. “Mas não sabemos quanto tempo é necessário consumir esses alimentos para que isso ocorra. Se simplesmente pararmos de consumi-los, isso desapareceria?”.
“O que sabemos é que, se você tem infiltração de gordura no músculo e começa a se exercitar e a comer de forma saudável, definitivamente pode melhorar a qualidade muscular”, acrescentou. “É mais fácil em pessoas jovens do que em idosas, mas pode ser alcançado”.
Não recorra a esportes de bola, como basquete ou tênis, aconselhou Link: “Não recomendamos exercícios de alto impacto porque podem danificar a articulação do joelho. Os exercícios de baixo impacto são os melhores”.
Os especialistas recomendam trabalhar os músculos que cercam o joelho — quadríceps, isquiotibiais, glúteos e panturrilhas — com exercícios como agachamentos na parede, subir degraus, elevações de perna em pé, elevações da parte interna da coxa e elevações de calcanhar.
“Em um de nossos estudos, descobrimos que o elíptico é muito benéfico, talvez mais do que outros exercícios de baixo impacto. E, claro, o treinamento de força com pesos é muito útil”, disse Link.
Quanto à dieta, o melhor é consumir alimentos reais e preparar refeições equilibradas em casa, observou Bredella.
“Os músculos precisam de proteína suficiente, mas recorrer a barras de proteína ultraprocessadas e suplementos não é a solução”, afirmou. “Muitas dessas barras estão cheias de açúcar e não são realmente saudáveis, apesar do que dizem seus rótulos”.
Você pode reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados com estes passos:
- Leia e compare os rótulos dos produtos e tente escolher alternativas menos processadas. Por exemplo, substitua o iogurte com sabor por iogurte natural com frutas.
- O que você inclui é tão importante quanto o que você exclui. Foque em adicionar à sua dieta cereais integrais, vegetais, leguminosas e frutas frescas, congeladas ou enlatadas em água.
- Preste atenção às bebidas. Bebidas açucaradas não têm valor nutricional. Substitua-as por água.
- Quando comer fora, opte por restaurantes e cafés locais em vez de redes de fast-food. É menos provável que ofereçam alimentos ultraprocessados.
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