‘Muita gente acha que é inofensivo’, alerta especialista sobre cigarros eletrônicos
Dispositivos conhecidos como ‘vapes’ são amplamente consumidos de forma velada por jovens
Saúde|Do R7, com RECORD NEWS
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Mesmo com a proibição e a restrição de vendas desde 2009, os cigarros eletrônicos — conhecidos como vapes — são amplamente consumidos por jovens por meio de disfarces e tecnologias de camuflagem. O uso é feito de forma velada em ambientes fechados e até no transporte público, sem que ninguém em volta perceba.
Entre janeiro e fevereiro de 2026, a Receita Federal apreendeu quase 239 mil unidades de vapes no país — o equivalente a mais de 4.000 dispositivos confiscados por dia. Segundo especialistas, o uso desses equipamentos aumenta o risco de câncer e de outras comorbidades.

Em entrevista ao Conexão Record News desta segunda-feira (1º), Milena Maciel, consultora na área de tabagismo da Fundação do Câncer, afirma que muitas pessoas acreditam que o que sai do dispositivo é apenas vapor com sabor e cheiro.
“Como não tem fumaça, muita gente acha que é inofensivo, mas não é isso. O que a pessoa inala é um aerosol que pode conter nicotina, partículas muito pequenas, muitos metais pesados, outras substâncias químicas, e não só para quem está inalando, quem está usando o dispositivo, mas para quem está no entorno dessa pessoa. Então, a gente chama de fumo passivo. Em muitos dispositivos, a gente não sabe nem qual é a composição, exatamente, ela não é tão conhecida, [...] porque não é só um vapor, não é vapor de água, como muitos pensam”, alerta.
Sobre os efeitos colaterais, Milena explica que, até o momento, há dados científicos que comprovam a relação de cigarros eletrônicos com problemas respiratórios, cardiovasculares e neurológicos. Segundo ela, a nicotina pode aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
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“Os neurológicos também, quando a gente está falando de jovens, isso interfere também na atenção, na aprendizagem, na memória, no controle de impulsos, porque a gente está falando de um cérebro que ainda está em desenvolvimento”, ressalta.
Milena aponta ainda que pais, responsáveis e educadores devem estar sempre atentos aos adolescentes e precisam estabelecer um diálogo. “Há um conjunto de instituições, de organizações, que estão lutando para valer o que está na lei, que é a proibição de várias práticas relacionadas ao uso desses produtos. É um desafio, então, e o primeiro passo é a gente conversar com todo mundo da família”, defende Milena.
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