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Obesidade atinge um terço da população 50+ no país; condição aumenta risco de infarto e AVC

Condição está frequentemente associada a alterações metabólicas decorrentes do processo de envelhecimento

Saúde|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cerca de 31% da população brasileira com mais de 50 anos enfrenta a obesidade, impactando a qualidade de vida e aumentando riscos de saúde.
  • A obesidade nessa faixa etária está associada a condições como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, além de afetar a saúde mental e a mobilidade.
  • O tratamento da obesidade em idosos deve ser gradual e focado na preservação muscular, evitando dietas restritivas e considerando intervenções médicas com cautela.
  • A prevenção do ganho de peso inclui alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento da saúde metabólica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Woman standing on a scale. Obesidade
Obesidade no envelhecimento está frequentemente ligada à perda de massa muscular Reprodução/Freepik

Cerca de 31% da população brasileira com mais de 50 anos enfrenta a obesidade. A condição, caracterizada pelo índice de massa corporal superior a 30 kg/m², está relacionada à perda de qualidade de vida no envelhecimento e representa grande desafio para o país, uma vez que a tendência de expansão demográfica da terceira idade é uma realidade mundial.

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas), pessoas com mais de 50 anos representam 27% da população global. Essa é exatamente a proporção do Brasil: de acordo com o censo mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 56.281.177 dos 203.080.756 brasileiros têm 50 anos ou mais.


Números divulgados na semana passada pelo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, pesquisa nacional sobre envelhecimento no país feita pela Fiocruz em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mostraram que praticamente um terço da população nessa faixa etária, além de estar obesa, é considerada sedentária (realiza menos de 150 minutos de atividade física moderada e/ou vigorosa por semana).

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Para Saulo Queiroz Borges, geriatra do Centro de Medicina do Idoso do Hospital Universitário de Brasília, o excesso de peso no envelhecimento traz riscos que vão desde o desenvolvimento de diabetes, pressão alta, infarto e AVC, até severos impactos musculares e psicológicos.


Sete em cada dez participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros informaram já ter tido diagnóstico médico para uma ou mais doenças crônicas. Pressão alta, problemas da coluna, artrite, depressão e diabetes foram as condições crônicas mais frequentes.

“Além de reduzir a mobilidade, aumentar as dores e a chance de quedas, a obesidade nessa faixa etária gera efeitos menos óbvios, como a piora do sono, o aumento da inflamação crônica no corpo e o comprometimento da saúde mental”, alerta o especialista.


Borges ressalta que, embora o acúmulo de gordura e a perda de massa magra pareçam extremos opostos, eles frequentemente coexistem nos mais velhos, em um quadro conhecido como obesidade sarcopênica.

“Um paciente pode apresentar ‘peso normal’, mas acumular gordura visceral e ter pouca musculatura. Isso o torna metabolicamente semelhante a um obeso, elevando o risco de diabetes, problemas cardiovasculares e perda de autonomia”, comenta o médico.


“Por isso, o diagnóstico vai além da balança e da fita métrica: precisamos avaliar a força por meio de testes clínicos e, quando possível, a massa muscular por meio de exames como a densitometria ou a bioimpedância.”

Reverter a obesidade é mais difícil para os mais velhos

O geriatra pondera que reverter esse cenário na terceira idade é um desafio complexo e diferente de tratar um jovem, já que os hábitos estão mais enraizados, há mais doenças associadas e a reserva fisiológica é menor.

Sendo assim, o emagrecimento precisa ser gradual e seguro, com foco total na preservação ou no ganho de músculos. Ele alerta que a perda de peso rápida e sem critérios pode agravar a sarcopenia, elevando o risco de fraturas e incapacidade física.

“Para combater o problema, além de mudanças no estilo de vida, precisamos revisar as medicações em uso e, em casos selecionados, considerar tratamentos farmacológicos modernos. Essa abordagem exige cautela nos mais velhos, devido à menor experiência clínica e aos efeitos ainda pouco conhecidos a longo prazo nessa população. A cirurgia bariátrica também surge como opção, mas deve ser indicada de forma muito criteriosa, apenas quando os benefícios superam claramente os riscos“, conclui.

Antes prevenir do que remediar

Antes de pensar em tratamentos, porém, é fundamental entender como prevenir o ganho de peso. A nutricionista Taynara Abreu chama a atenção para o fato de que o avanço da obesidade na população acima dos 50 anos está diretamente associado às transformações fisiológicas naturais do envelhecimento.

“Nas mulheres, a menopausa reduz os níveis de estrogênio, favorecendo o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e uma maior inflamação metabólica. Nos homens, a queda gradual da testosterona contribui para a diminuição da massa magra, redução da força e aumento do percentual de gordura. Essas mudanças elevam não apenas o risco de obesidade, mas também de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica”, adverte.

A especialista alerta ainda que a adesão a “dietas da moda” — muitas vezes restritivas ou extremas — pode representar sérios riscos após os 50 anos. Segundo ela, as consequências de restrições severas incluem a perda muscular, deficiências de vitaminas e minerais, fraqueza, queda na imunidade e um maior risco de fragilidade física.

Para quem está chegando à maturidade com o peso adequado, a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, fibras, frutas, verduras e alimentos minimamente processados, combinada à prática regular de atividade física, é essencial para preservar o metabolismo e evitar o ganho de peso progressivo.

(Taynara Abreu, nutricionista)

“Também é importante cuidar da qualidade do sono, controlar o estresse e realizar um acompanhamento regular da saúde metabólica. Mais do que focar apenas na balança, o objetivo nessa fase deve ser garantir a massa muscular, a autonomia e a qualidade de vida ao longo do envelhecimento”, diz a nutricionista.

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