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‘Nós mesmos ficamos muito positivamente impressionados’, diz médico sobre terapia Car-T

Tratamento inovador apresenta melhora significativa em nove de cada dez pacientes

Saúde|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A terapia Car-T, desenvolvida pela USP, mostrou resultados promissores contra linfoma e leucemia, com 90% dos pacientes apresentando melhora significativa.
  • O Governo Federal investirá R$ 100 milhões na terapia para implementação no SUS em dois anos, exigindo a criação de uma rede de hospitais públicos universitários.
  • O tratamento envolve a modificação genética dos linfócitos T para atacar células cancerígenas, reduzindo efeitos colaterais em comparação à quimioterapia convencional.
  • O laboratório atualmente pode produzir até mil células Car-T por ano, com potencial para tratar de 2 mil a 4 mil pacientes de leucemia e linfoma anualmente.

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A terapia Car-T, um tratamento revolucionário contra o linfoma e a leucemia desenvolvido por pesquisadores da USP (Universidade do Estado de São Paulo) no laboratório do Hemocentro de Ribeirão Preto, trouxe resultados animadores. Nove em cada dez pacientes apresentaram uma melhora significativa após o processo.

“Devo confessar que nós mesmos ficamos muito positivamente impressionados com esse resultado que nós conseguimos”, admitiu Rodrigo Calado, um dos responsáveis pelo estudo e presidente do hemocentro. Os números também animaram o Governo Federal, que decidiu investir R$ 100 milhões na terapia, que deverá ser implementada no SUS (Sistema Único de Saúde) daqui a dois anos.


Um braço de um paciente está conectado a uma máquina que bombeia sangue para fora.
Tratamento requer retirada de uma amostra de sangue do paciente e separação dos glóbulos brancos Reprodução / Record News

“Para que isso possa acontecer, não é só a Anvisa ter um registro e esse tratamento estar pronto; [...] precisamos criar uma rede de hospitais públicos universitários que possam fazer esse tratamento, [...] no Nordeste, no Norte, na região do Centro-Oeste, que possam disponibilizá-lo”, comentou no Link News da última quinta-feira (11).

Calado afirma que a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, já autorizou a construção da rede. Ainda assim, o estudo deve seguir por um minucioso processo de análise antes de vir ao grande público: “Até o momento, esse tratamento se mostrou muito seguro [...], mas nós precisamos também ver os efeitos adversos tardios. Isso leva pelo menos um ano”.


Mais preciso do que a quimioterapia

Durante a conversa, o pesquisador explicou que a terapia requer a retirada de uma amostra de sangue do paciente e o isolamento dos glóbulos brancos, dos quais os linfócitos T são separados e geneticamente modificados. A partir desta alteração, os anticorpos passam a reconhecer as células do câncer como inimigas do organismo.

“Diferente de uma quimioterapia convencional, que ataca todas as células de uma forma geral e por isso tem muitos efeitos colaterais, aqui os efeitos são muito reduzidos porque essa célula vai atacar exclusivamente as células do câncer”, comemora o presidente do hemocentro. Ele ainda afirma que o estudo pode ser utilizado para tratar outros tipos de câncer e até mesmo doenças autoimunes.


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Ao ser questionado, o médico declara que, no momento, o laboratório é capaz de produzir até mil células Car-T por ano. Ele estima que em torno de 2.000 a 4.000 pacientes de leucemia e linfoma seriam elegíveis anualmente, contanto que a rede de apoio já esteja bem estruturada.

À medida que o processo vai ganhando fôlego, nós podemos aumentar essa demanda ou otimizar a produção de células, o que facilitaria atender a uma demanda cada vez maior”, concluiu o profissional da saúde de maneira otimista.

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