OMS acredita que medidas de restrição podem piorar transmissão do ebola
Diálogo e compreensão constituem a maneira mais eficaz para deter a propagação da doença
Saúde|Do R7

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considerou nesta sexta-feira (27) que a imposição de restrições de viagens e comércio nos tres países afetados por uma epidemia de ebola — Serra Leoa, Libéria e Guiné — teria efeitos contraproducentes. É considerado que o diálogo com as comunidades afetadas e a compreensão de parte destes comportamentos de risco constituem a maneira mais eficaz para deter a propagação da grave doença.
Para o especialista da organização, Pierre Formenty, "se tentarmos aplicar medidas que sejam vistas como restritivas pela população, vamos atiçar o surto e a transmissão, e a doença se estenderá".
— Favorecemos o diálogo com as famílias e comunidades afetadas ao invés de uma política sanitária com a qual tentamos controlar qualquer movimento da população, como se fôssemos uma polícia sanitária.
OMS pede medidas drásticas contra o Ebola e convoca reunião
Por isso, Formenty disse que sua organização "não recomenda que seja aplicada nenhuma restrição de viagem ou comércio nestes países". Segundo a última apuração de casos, nos três países foi registrado um total de 625 casos de ebola, com 399 mortos.
OMS declara que atual epidemia de ebola é a mais grave da história
Esta epidemia é considerada pelo número de vítimas e por ocorrer em três países a mais grave observada até o momento, mas a OMS assegurou hoje que "não está fora de controle", como afirmou a ONG Médicos Sem Fronteiras.
Formenty asseguou que "a situação não está fora de controle.
— Foram feitas muitas nos últimos três meses para deter a transmissão nos três países, aos quais estamos apoiando e com cujos ministérios de Saúde trabalhamos diariamente.
Formenty explicou que "as dificuldades para identificar os casos, rastrear seus contatos e fazer a população entender o que devem fazer quando têm um doente em casa e em funerais" impediram a detenção da transmissão do vírus da febre hemorrágica do ebola.
— O surto se amplificou porque fomos incapazes de aplicar medidas para restringí-lo. Este fracasso provocou uma rede de transmissão clandestina que explica porquê estamos aqui agora.
No entanto, o especialista da OMS assegurou que nem todos foram fracassos, pois apesar de em alguns lugares não tenha sido possível deter o contágio, em outros a situação foi totalmente controlada. A organização trabalha com a ideia de que o ebola seguirá sendo transmitindo por conta da mobilidade do povo entre um país e outro, pelo qual os países vizinhos (como Mali, Guiné-Bissau, Costa do Marfim e Senegal), onde ainda não o mal não foi detectado, devem se preparar caso que isto ocorra.













