Saúde Teste de vacina contra zika atinge 87% dos voluntários necessários

Teste de vacina contra zika atinge 87% dos voluntários necessários

Cerca de 2.100 dos 2.400 necessários foram recrutados, segundo o Hospital das Clínicas de São Paulo, que desenvolve imunizante com os Estados Unidos

Primeira vacina contra zika já tem quase o nº suficiente de voluntários

O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da zika, dengue e chikungunya

O mosquito Aedes aegypti é o transmissor da zika, dengue e chikungunya

Pixabay

A primeira vacina do mundo contra a zika já tem 2.100, ou 87,5%, dos 2.400 voluntários necessários para a segunda fase de testes, segundo Lilian Ferrari, uma das coordenadoras da pesquisa no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo.

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Apesar de ainda restarem 300 voluntários para atingir a meta até 31 de dezembro, o HC realiza, neste momento, uma pausa no recrutamento para balanço no total de participantes em todos os países envolvidos no estudo, de acordo com a pesquisadora.

A vacina está sendo desenvolvida pelo HC em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e requer 2.400 voluntários em países do continente americano. Esta é segunda fase de testes, que engloba cinco no total, e tem o objetivo avaliar a segurança e a eficácia da vacina.

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“Nesse momento, houve uma pausa nas inscrições. Estamos montando um banco de dados. Mas o projeto está aberto. Quem tiver interesse em se inscrever pode se apresentar, pois os que não participarem deste teste terão a opção de migrar para outro, de gripe aviária”, afirma.

Para a pesquisadora, apesar do número quase alcançado do total de participantes, o maior desafio da pesquisa é recrutar voluntários. “As pessoas têm muito medo de participar porque ainda estão fixadas no termo ‘cobaia’. Mas não é nada disso, é praticamente um contrato, tudo é regulamentado e não há nada que não passe pelo comitê de ética”.

Voluntários não podem ter tido a doença

Os interessados podem se apresentar até dia 31. São aceitos voluntários homens e mulheres entre 15 e 35 anos que nunca contraíram a zika. É preciso que não tenham tomado qualquer tipo de vacina nos últimos 30 dias e não disponham de doença crônica descontrolada. Menores de 18 anos necessitam de autorização presencial do pai e da mãe.

Todos os voluntários desta pesquisa irão receber três doses de vacina em um período de dois meses. Metade será vacinado com o novo imunizante e a outra metade com placebo. Os voluntários serão acompanhados pelos pesquisadores ao longo de dois anos e não serão informados se receberam a vacina ou o placebo.

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A participação não é remunerada, pois a legislação brasileira não permite. Mas a Faculdade de Medicina da USP informa que os voluntários serão ressarcidos dos gastos com transporte e alimentação nos dias de consulta.

Segundo a pesquisadora, as pessoas que se inscrevem como voluntárias são movidas por altruísmo ou por profilaxia da doença ou porque viajam para locais de risco com frequência ou porque perderam ou tiveram familiares acometidos pela zika. “Vale ressaltar que quem se voluntaria está ajudando o futuro da ciência”, afirma.

Vacina é feita com DNA do vírus da zika

A vacina é feita de fragmento de material genético do vírus, e não de vírus vivo atenuado, como a vacina da febre amarela e, por essa razão, não apresentaria reações adversas.

O encerramento do estudo depende da circulação do vírus. É preciso haver uma exposição natural dos voluntários ao vírus para que se possa comprovar a eficácia da vacina.

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A eficácia é mensurada pela quantidade de anticorpos produzidos no organismo dos voluntários vacinados que entraram em contato naturalmente com o vírus.

A vacina foi criada pelo Centro de Pesquisas de Vacinas (VRC), do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e está sendo testada onde a doença é disseminada, que são países das Américas.

O cadastro de voluntário deve ser feito pelo (11) 2661-7214, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Doença provoca microcefalia em fetos

A zika é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e está relacionado a casos de microcefalia em fetos e à síndrome de Guillain-Barré. Foi identificado em 1947 e recebeu a denominação de seu local de origem, a floresta Zika, em Uganda.

Além da picada de inseto, a zika pode ser transmitida por meio da relação sexual. O vírus permanece por cerca de seis meses no sêmen do homem que contraiu a doença.

O Brasil registrou epidemia de zika em 2015, que atingiu principalmente o Nordeste. Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a doença como emergência de saúde pública de importância internacional.

Mais de 200 mil ocorrências de zika foram registradas no mundo, segundo a OMS, sendo mais da metade desse número no Brasil.

Brasil registra mais de 7 mil casos de zika

Neste ano, foram registrados 7.544 casos prováveis de zika e duas mortes no país, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado em novembro. As mortes ocorreram no Paraíba e em Alagoas.

Entre esses casos, 1.011 são de gestantes. Até o momento foram confirmados 389 casos em grávidas.

A taxa de incidência de zika no Brasil é de 3,6 casos para cada 100 mil habitantes. A região Sudeste lidera em número de casos prováveis, com 2.779, o que corresponde a 36,8% do país. Em seguida, estão o Nordeste, com 2.184, Centro-Oeste, com 1.596, Norte, com 944, e Sul, com 41.

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Já as regiões Centro-Oeste e Norte apresentam as maiores taxas de incidência: 10,1 casos para cada 100 mil habitantes e 5,3 casos para cada 100 mil habitantes.

As cidades com maior incidência da doença são Pé de Serra (BA), Niterói (RJ), Cuiabá (MT) e São Gonçalo (RJ).

Entenda as diferenças entre os sintomas de zika, febre amarela, dengue, gripe e chikungunya: