Saúde Trabalho aos domingos pode aumentar nível de estresse

Trabalho aos domingos pode aumentar nível de estresse

Psicóloga Camila Soares afirma que redução do tempo de descanso tende a desencadear problemas físicos e psicológicos nos trabalhadores

Trabalho aos domingos aumenta estresse e predispõe a doenças

Estresse crônico no trabalho causa síndrome de burnout

Estresse crônico no trabalho causa síndrome de burnout

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O trabalho aos domingos, liberado conforme as regras publicadas na Medida Provisória 905/2019 do governo, pode levar ao aumento do nível de estresse e predispor o trabalhador a doenças, segundo a psicóloga Camila Soares, especialista em psicologia organizacional e diretora-executiva do Núcleo de Desenvolvimento Humano e Organizacional Recriar.

“A falta de respeito a esse tempo de descanso vai gerar um alto nível de estresse, que provoca a somatização, ou seja, se manifesta fisicamente na forma de dores de cabeça, musculares e pressão alta, que pode levar a doenças cardíacas”, afirma a psicóloga.

Por sua vez, Tatiane Paschoal, doutora em psicologia social, do trabalho e das organizações pela UnB (Universidade de Brasília), pondera que o impacto dessa mudança na saúde depende de como a empresa vai negociar essa questão e quais recompensas o funcionário terá.

“Se isso significar falta de descanso, de tempo com a família e sobrecarga, o resultado para o trabalhador será negativo. Mas, não necessariamente essa medida gera uma condição pior”, avalia.

No mundo todo, 30% dos trabalhadores ocupados sofrem com transtornos mentais e comportamentais, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Em maio deste ano, a síndrome de burnout foi reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como resultado de “um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito".

De acordo com Paschoal, o burnout é resultado da sobrecarga e de condições ruins de trabalho. “Todos passam por situações de estresse, mas quando ele se torna rotineiro e elevado a pessoa se sente exausta e não encontra mais significado no trabalho”, explica.

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Bem-estar no ambiente de trabalho

Para reverter este quadro, empresas têm investido em programas de bem-estar. “Eles são usados para trazer qualidade de vida aos profissionais, assim aumentam a produtividade e diminuem as faltas ao trabalho”, diz a psicóloga Camila.

Existem inúmeras maneiras de implementar esses programas. Eles podem abranger atividades físicas, meditação, parcerias com livrarias e palestras com nutricionistas para informar sobre alimentação saudável.

Ainda de acordo com ela, instituições que investem em programas de humanização costumam dar intervalos fora do horário de almoço e incentivam atividades como ginástica laboral, o que previne doenças.

“Em empresas que exigem grandes esforços ou possuem uma linha de produção, as pessoas podem desenvolver tendinite e bursite, que são inflamações nos tendões causadas por movimentos repetitivos. Então, é importante ter descanso”, ressalta.

Paschoal destaca que as tendências destes programas é focar nos indivíduos e implentar políticas que promovam mudanças nas empresas.

"Não adianta só incentivar exercícios, é necessário haver reconhecimento, oportunidade de crescimento na carreira e distribuição justa de trabalho para que a equipe fique satisfeita e, consequentemente, saudável", argumenta.

Com objetivo de promover a saúde no ambiente corporativo, surgiu a VIK, uma startup que inclui jogos no ambiente corporativo. 

A proposta é trazer técnicas de jogos para influenciar na rotina dos trabalhadores”, explica Pedro Reis, sócio-fundador da VIK. ”São montadas equipes que mesclam pessoas sedentárias e ativas. A partir da prática de atividades físicas, elas ganham pontos”, completa.

O aplicativo da startup tem uma meta mínima por atividade. Em uma corrida é necessário percorrer, no mínimo, 4 km para conquistar alguma pontuação. Reis planeja incluir no aplicativo práticas de meditação e incentivar a interação entre diferentes empresas.

Torcicolo pode ser causado por estresse e até hérnias. Saiba mais: