Por que grandes empresas estão tentando frear o avanço da IA?
Big techs discutem protocolos independentes para avaliar os riscos da inteligência artificial antes do lançamento de novos sistemas
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
O avanço acelerado da inteligência artificial tem levado grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos a discutirem medidas para desacelerar o desenvolvimento da área. O debate ganhou força após os alertas de um ex-funcionário da Anthropic — criadora do Claude — e da OpenAI — criadora do ChatGPT —, que apontou uma falta de avaliação adequada dos impactos dessas ferramentas para a sociedade. A preocupação principal é a diferença entre a velocidade de evolução dos modelos de IA e os mecanismos de segurança disponíveis.
De acordo com o especialista em tecnologia Gustavo Torrente, o setor vem enfrentando dificuldades para acompanhar os riscos que as novas tecnologias trazem. “Existe um descompasso hoje entre a velocidade em que os modelos de IA evoluem, semanalmente a gente acompanha a evolução disso, com a velocidade da segurança”, afirmou.

Diante desse cenário, grandes empresas como OpenAI, Anthropic, Google DeepMind e xAI passaram a defender o desenvolvimento de protocolos de avaliação independentes antes do lançamento de novos sistemas. Essa proposta prevê que auditores externos analisem os riscos e possíveis impactos das ferramentas antes que elas sejam disponibilizadas ao público. Apesar do consenso sobre a necessidade de mais cautela, nenhuma empresa quer ser a primeira a reduzir o ritmo das pesquisas.
O especialista ainda destaca que a disputa pela liderança global da inteligência artificial dificulta as tentativas de desacelerar. Enquanto os Estados Unidos possuem um controle maior sobre os modelos fechados, a China avança nos sistemas abertos, o que torna mais complexo que haja um acordo internacional para limitar o desenvolvimento da tecnologia.
Para Torrente, o impasse reflete interesses econômicos e preocupações com a segurança. “O fator econômico fala ‘acelera’, enquanto a segurança fala ‘pisa no freio, porque isso pode ter consequências’”, explicou. Entre os riscos apontados, estão o uso da IA para ataques cibernéticos e outras aplicações consideradas perigosas.
Na avaliação do especialista, a disputa crescente entre os Estados Unidos e a China pode dar origem a uma nova Guerra Fria tecnológica. “Tem corrida armamentista, tem controle de exportação, tem dois blocos e tem uma cúpula marcada. Só que, dessa vez, o arsenal não é do Estado, mas são cinco empresas privadas que estão falando isso.” Segundo ele, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de inovação para se tornar um ativo estratégico na disputa por influência e poder global.
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