Sociedade tem ‘falsa percepção’ de que crimes digitais contra crianças são casos isolados, diz especialista
Nova medida obriga gigantes da tecnologia a publicar relatórios semestrais sobre ações de proteção
Tecnologia e Ciência|Do R7, com RECORD NEWS
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Uma nova medida do governo, publicada nesta terça-feira (11) no DOU (Diário Oficial da União), obriga as big techs a publicarem relatórios semestrais sobre ações de proteção de crianças e adolescentes em espaços digitais com um número de usuários acima de um milhão. A decisão não afeta apenas redes sociais, mas também sites e plataformas online.

“Esses relatórios são essenciais. Eles sozinhos não funcionam, obviamente, mas têm um grande valor nas informações que produzem, porque hoje a sociedade e o poder público têm uma falsa percepção de casos isolados. [...] Um caso de cyberbullying aqui, um aliciamento ali. [...] Quando nós temos esses relatórios, [...] encaramos a realidade de forma mais palpável”, afirmou Karolyne Utomi ao Conexão Record News.
Coordenadora de Defesa da Criança e Adolescente da OAB/SP (Ordem dos Advogados do Brasil / São Paulo), Karolyne entende a medida como um apoio para futuras políticas públicas, que utilizarão os dados obtidos para garantir protocolos de segurança mais eficientes nas redes sociais e punições efetivas contra grupos que promovam a automutilação de jovens e compartilhem pornografia infantil.
Para a coordenadora, um ambiente digital mais seguro também significa uma sociedade melhor, já que são as crianças de hoje “que vão nos atender em consultórios médicos, [...] que vão ser políticos. Se eles não têm uma mente sendo desenvolvida da maneira adequada, se estão sendo manipulados ou mortos, qual que é o futuro da nossa sociedade?”.
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Karolyne enfatiza que esse futuro ideal também é responsabilidade dos pais, que devem monitorar os próprios filhos e impedir que eles usem meios para burlar barreiras digitais e acessar sites danosos. “Colocou ali aquela criança ao mundo e, quando ele não faz um controle parental efetivo, essa conta vai chegar mais cedo ou mais tarde, seja a partir de um transtorno psicológico, seja a partir de um crime que a criança vai ser agressora ou a vítima”.
Por isso, a coordenadora de defesa reforça novamente a importância da medida e faz um pedido para que ela seja utilizada como aprendizado. “Para que esses relatórios não se tornem burocracia, que as pessoas e as empresas olhem para esse relatório como um convite para desenvolvermos uma sociedade mais humana”.
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