Advogado pede perdão presidencial de Obama para Manning
Para Wikileaks, condenação foi "uma vitória estratégia significativa"
Internacional|Do R7, com EFE e Ansa

David Coombs, o advogado do soldado Bradley Manning, pediu nesta quarta-feira (21) um perdão presidencial para seu cliente que permita a libertação "o mais rápido possível" do ex-analista de inteligência, condenado a 35 anos de prisão por vazar informações ao portal Wikileaks.
Coombs pedirá a Obama que perdoe Manning ou o liberte pelo tempo já cumprido em prisão desde o final de maio de 2010. O advogado anunciou sua decisão em entrevista coletiva nesta quarta-feira depois que Manning foi condenado por uma juíza militar a 35 anos de prisão, que não serão revisados até dentro de pelo menos sete anos, detalhou o advogado.
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O porta-voz da Casa Branca, Josh Eearnest, declarou hoje em entrevista coletiva que o pedido de perdão a Manning será administrado como qualquer outro recebido por Obama, enquanto a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, lembrou que as ações de Manning foram "sérias", mas respeitam a decisão da Justiça militar e a "integridade do processo".
O advogado de Manning insistiu hoje que a forma como o governo americano manejou este caso e a sentença de 35 anos representam "uma mancha histórica à liberdade de imprensa" nos EUA, especialmente por solicitar a acusação de "ajuda ao inimigo" contra Manning, da qual foi absolvido e que se reserva para crimes que, em princípio, merecem a pena de morte.
"O câncer da confidencialidade excessiva de documentos está danificando a própria base de nossa sociedade", opinou Coombs, que defendeu por lutar até o final para que seu cliente saia o mais rápido possível de prisão. Bradley Manning declarou, através de um comunicado lido por seu advogado, que sua única motivação quando vazou mais de 700 mil documentos confidenciais ao Wikileaks era "ajudar" seu país e sua intenção nunca foi a de prejudicar ninguém.
Em sua declaração, que será parte do pedido de perdão presidencial, Manning se mostrou confiante que, após seus vazamentos, "muitas das ações desde o 11 de setembro sejam vistas um dia sob a luz" com a qual se examinaram outros abusos na história dos EUA, como os campos de internamento de japoneses nesse país durante a Segunda Guerra Mundial.
"Quando decidi revelar informação confidencial, fiz isso por amor a meu país e senso do dever, se o senhor (Obama) rejeita meu pedido de perdão cumprirei meu tempo na prisão sabendo que às vezes é preciso pagar um alto preço por uma verdadeira sociedade", assegura Manning. O soldado diz ainda que está disposto a cumprir sua pena se isso significa que seu país consagra seus princípios de "liberdade e que todos os homens e mulheres são criados iguais".
Para Wikileaks, condenação de Manning é uma vitória
O site WikiLeaks comentou, nesta quarta-feira, que a condenação de Bradley Manning a 35 anos de prisão é "uma vitória estratégia significativa", já que o militar poderia ser libertado em menos de nove anos. "Bradley Manning poderia ter os requisitos por ser libertado em menos de 9 anos, 4,4 anos segundo alguns cálculos", escreveu o grupo de hackers na conta oficial no Twitter.
O governo russo chamou a sentença de "injustificadamente dura" e um exemplo de "diferentes padrões" no âmbito dos direitos humanos.
"Quando se fala dos interesses dos Estados Unidos o sistema judiciário norte-americano, como no caso de Manning, toma decisões injustificadamente duras para amedrontar outros sem nenhuma consideração para os direitos humanos", afirmou Konstantin Dolgov, responsável pelos direitos humanos do Ministério das Relações Exteriores russo.
"Essas manifestações de diferentes padrões de medida sobre a supremacia da lei e dos direitos humanos são uma ulterior prova que as reivindicações norte-americanas de liderança nesses importantes âmbitos não têm fundamentos", concluiu Dolgov.
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