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Análise: desmatamento zero é tecnicamente possível, mas exige tecnologia e fiscalização

Entre janeiro e junho, a Amazônia perdeu 1.295 km² de vegetação nativa, o menor índice da última década, segundo o Inpe

Meio Ambiente|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Amazônia registrou o menor índice de desmatamento para o primeiro semestre em uma década, com perda de 1.295 km² de vegetação nativa.
  • No Cerrado, a área sob alerta de desmatamento foi de 3.142 km², a mais baixa desde 2021, com uma queda de 6% em relação ao ano anterior.
  • O Inpe utiliza os sistemas Prodes e Deter para monitorar e relatar o desmatamento em tempo quase real, auxiliando na tomada de decisões baseadas em dados científicos.
  • O desmatamento zero é tecnicamente possível com políticas de controle e desenvolvimento de tecnologias que promovam uma produção sustentável sem a substituição da floresta.

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Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia registrou o menor índice de desmatamento para o primeiro semestre do ano em uma década. De janeiro a junho, foram perdidos 1.295 km² de vegetação nativa, registrando o índice mais baixo da série histórica iniciada em 2016 no sistema de detecção de desmatamentos em tempo real.

Além disso, no Cerrado brasileiro, no primeiro semestre, a área sob alerta para desmate foi de 3.142 km², a mais baixa desde 2021. O dado representa uma queda de 6% em comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Para Claudio Almeida, coordenador do programa BiomasBR no Inpe, os fatores mais importantes para se considerar no controle do desmatamento são o constante monitoramento desse processo e o relato aos órgãos públicos para que esses possam ter uma tomada de decisão com base em dados “científicos, concretos e críveis”.


Imagens de satélite enviadas pelo sistema Deter ajudam órgãos de fiscalização a identificar áreas sob pressão Reprodução/Record News

O Inpe mantém dois sistemas de monitoramento: o primeiro é o Prodes, que divulga o número oficial do desmatamento total em um ano, e o Deter, que faz um monitoramento em tempo “quase real” com o uso de satélites. Os dispositivos capturam imagens WFI (Wide Field Imager), que são enviadas a todos os órgãos que atuam nessa fiscalização, para que eles possam, então, tomar medidas cabíveis.

O especialista explicou que a floresta amazônica, por ser uma floresta tropical úmida, não pega fogo por conta própria, e detalhou algumas das causas dos incêndios, que, quando acontecem, geralmente são devido a uma causa humana. A maior parte dos incêndios acontece pela atividade agrícola de queima de biomassa para a renovação do solo para agricultura ou pastagem. “O ideal é fazer um processo de recuperação de pastagem adequado com calagem e adubação, mas, na agricultura tradicional, ainda se usa o fogo”, afirmou.


Segundo ele, tecnicamente é possível atingir o desmatamento zero com políticas de controle e de desenvolvimento de novas tecnologias que induzam a uma produção que não dependa mais da substituição da floresta, mas ainda há melhorias a serem feitas: “A gente tem que investir em tecnologias que olhem para a nossa biodiversidade e para aquilo que a floresta oferece e desenvolvam cadeias econômicas que aproveitem essa floresta”, concluiu.

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