Brasil descarta declarar embaixador argentino persona non grata após crise diplomática
Segundo interlocutores do Itamaraty, Guillermo Daniel Raimondi permanecerá em Brasília e não terá prazo para deixar o país
Brasília|Luiza Marinho* e Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O governo brasileiro decidiu não declarar persona non grata o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, mesmo após rebaixar a relação diplomática entre os dois países. Segundo interlocutores do Itamaraty, o diplomata argentino permanecerá em Brasília e não terá prazo para deixar o país.
A expectativa do governo brasileiro, no entanto, é de que Buenos Aires decida chamar seu representante de volta. Enquanto isso, o Brasil manterá a representação diplomática na Argentina no nível de encarregado de negócios e não enviará, por enquanto, um novo embaixador para o país vizinho.
A decisão foi tomada após o presidente argentino, Javier Milei, voltar a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à televisão argentina, repetindo declarações feitas durante passagem por São Paulo.
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O Brasil havia chamado seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, para consultas após os ataques de Milei. A avaliação do Itamaraty é de que não há condições para restabelecer, neste momento, a relação diplomática no mais alto nível.
Pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, a representação entre os países passa a ser exercida por um encarregado de negócios quando não há embaixador em exercício.
Estratégia eleitoral
Segundo interlocutores, a nova ofensiva de Milei está ligada aos calendários eleitorais de Brasil e Argentina.
A avaliação é de que o presidente argentino voltou a intensificar as críticas de olho no pleito presidencial brasileiro e nas eleições legislativas argentinas do próximo ano.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Milei busca se consolidar como principal liderança da direita na América do Sul e evitar que um eventual fortalecimento de forças progressistas no Brasil tenha reflexos na política argentina.
Também há a leitura de que o presidente argentino esperava uma reação mais contundente de Lula e se incomodou com a decisão do brasileiro de não responder diretamente às provocações.
Segundo interlocutores do Itamaraty, conversas com governos da região, como o Chile, indicam que a Argentina não é vista atualmente como liderança política na América do Sul, apesar da projeção internacional buscada por Milei.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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