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Brasil descarta declarar embaixador argentino persona non grata após crise diplomática

Segundo interlocutores do Itamaraty, Guillermo Daniel Raimondi permanecerá em Brasília e não terá prazo para deixar o país

Brasília|Luiza Marinho* e Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil decidiu não declarar o embaixador argentino persona non grata, apesar da crise diplomática.
  • O governo brasileiro espera que a Argentina chame seu embaixador de volta, enquanto mantém a representação no nível de encarregado de negócios.
  • Os ataques do presidente argentino Javier Milei a Lula influenciaram a decisão do Itamaraty de não restabelecer relações diplomáticas no mais alto nível.
  • A intensificação das críticas de Milei está relacionada às eleições no Brasil e na Argentina, visando consolidar sua liderança na direita sul-americana.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Decisão sobre embaixador ocorre após nova ofensiva de Javier Milei contra Lula Tânia Rêgo/Agência Brasil - 18.1.2024

O governo brasileiro decidiu não declarar persona non grata o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, mesmo após rebaixar a relação diplomática entre os dois países. Segundo interlocutores do Itamaraty, o diplomata argentino permanecerá em Brasília e não terá prazo para deixar o país.

A expectativa do governo brasileiro, no entanto, é de que Buenos Aires decida chamar seu representante de volta. Enquanto isso, o Brasil manterá a representação diplomática na Argentina no nível de encarregado de negócios e não enviará, por enquanto, um novo embaixador para o país vizinho.


A decisão foi tomada após o presidente argentino, Javier Milei, voltar a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à televisão argentina, repetindo declarações feitas durante passagem por São Paulo.

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O Brasil havia chamado seu embaixador na Argentina, Julio Bitelli, para consultas após os ataques de Milei. A avaliação do Itamaraty é de que não há condições para restabelecer, neste momento, a relação diplomática no mais alto nível.


Pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, a representação entre os países passa a ser exercida por um encarregado de negócios quando não há embaixador em exercício.

Estratégia eleitoral

Segundo interlocutores, a nova ofensiva de Milei está ligada aos calendários eleitorais de Brasil e Argentina.


A avaliação é de que o presidente argentino voltou a intensificar as críticas de olho no pleito presidencial brasileiro e nas eleições legislativas argentinas do próximo ano.

Nos bastidores, interlocutores afirmam que Milei busca se consolidar como principal liderança da direita na América do Sul e evitar que um eventual fortalecimento de forças progressistas no Brasil tenha reflexos na política argentina.


Também há a leitura de que o presidente argentino esperava uma reação mais contundente de Lula e se incomodou com a decisão do brasileiro de não responder diretamente às provocações.

Segundo interlocutores do Itamaraty, conversas com governos da região, como o Chile, indicam que a Argentina não é vista atualmente como liderança política na América do Sul, apesar da projeção internacional buscada por Milei.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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