Comissão da Câmara quer ouvir Mucio sobre transferência de general para São Paulo
Episódio envolve a mudança do militar Emílio Vanderlei Ribeiro para comandar a 2ª Região Militar após polêmica com Marcel van Hattem
Brasília|Deborah Hana Cardoso, da RECORD
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A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados quer ouvir o ministro da Defesa, José Mucio, antes da próxima sessão do colegiado. O principal motivo é a transferência do general Emílio Vanderlei Ribeiro para São Paulo, onde ele vai comandar a 2ª Região Militar.
O R7 entrou em contato com o Ministério da Defesa, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Os integrantes da comissão querem esclarecer se a mudança representa uma promoção ou uma punição. O general deixou a assessoria parlamentar da Defesa após um episódio envolvendo o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), mas foi designado para comandar uma das regiões militares do país.
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Van Hattem afirmou que Mucio havia informado aos deputados que o general seria retirado da assessoria e que alguma medida seria aplicada, como investigação, punição ou processo disciplinar. Segundo o deputado, a transferência para São Paulo levantou dúvidas sobre o que efetivamente ocorreu.
“Ele saiu do comando de umas poucas pessoas na assessoria para um comando muito maior. Ou seja, ele caiu para cima. Foi, no fim das contas, promovido?”, questionou.
O deputado afirmou ainda que, caso não haja uma apuração em andamento, pretende pedir formalmente à comissão a abertura de um processo administrativo disciplinar contra o general.
Entenda o caso
O episódio ocorreu após Van Hattem fazer críticas à atuação do comandante do Exército, general Tomás Ribeiro Paiva, chamando-o de “frouxo”. O general o abordou na saída da Comissão Relações Exteriores e rebateu a declaração, afirmando que seu superior não é “frouxo” e que iria com ele para a guerra. Van Hattem classificou a abordagem como uma tentativa de intimidação.
O deputado afirmou que aguarda explicações de Mucio sobre o caso e disse que a situação envolve não apenas ele, mas também outro parlamentar e a própria comissão.
Segundo o presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), a próxima sessão ainda depende de autorização do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O deputado afirmou que, até o momento, o encontro com Mucio deve ocorrer em caráter reservado.
‘Realista’
A RECORD também questionou Orleans e Bragança sobre a declaração de Mucio de que o Brasil estaria vulnerável em caso de uma invasão.
“Eu acho que ele [Mucio] foi realista, e concordo com essa opinião dele. O Brasil está completamente sem defesa, é uma das críticas que eu tenho há vários anos”, afirmou.
O deputado citou ainda uma proposta que, segundo ele, busca garantir recursos para o armamento das Forças Armadas.
“Os quadros das Forças Armadas existem, tem 400 mil membros. Agora, o que eles não têm: armas, nem política para armá-los e torná-los efetivos. Então, o que a gente está fazendo? É um cabidão de emprego?”, questionou.
Na Câmara, tramita a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 17/2022, que prevê a retirada da limitação de dotações consignadas ao orçamento das Forças Armadas. A proposta está parada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) desde 2022.
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