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Crime organizado ‘se conecta com pelo menos três ministros do STF’, diz relator da CPI

Segundo Vieira, infiltrados também envolvem agentes de segurança pública e autoridades

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, aponta infiltração do crime no poder público.
  • Conexões entre ministros do STF e grupos criminosos foram destacadas, incluindo ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
  • O crime organizado utiliza o sistema financeiro para lavar dinheiro e corromper agentes públicos.
  • Infiltrações alcançam diferentes esferas do poder, visando acesso e proteção no estado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Senador aponta infiltração do crime organizado no poder público Geraldo Magela/Agência Senado

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), disse nesta terça-feira (14) que o crime organizado está infiltrado no poder público e apontou ligações de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com grupos criminosos.

“Se conecta na atuação que nós tivemos por parte de pelo menos três ministros e o procurador-geral da República. É uma análise técnica, sem nenhum caráter ideológico ou partidário. Simplesmente a constatação de que, em uma República, ninguém pode estar acima da lei”, disse o parlamentar.


No relatório final, divulgado na madrugada desta terça-feira (14), Vieira cita as conexões entre o entorno do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ministro do STF Dias Toffoli. Mais tarde, o magistrado assumiu ser sócio da Maridt, empresa que tinha um fundo gerido pela Reag, ligada ao Master.

“São apenas um exemplo de fatos que levantam questionamentos sobre a imparcialidade do tratamento dispensado ao caso pela Justiça”, diz o texto.


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Ao comentar o caso do banqueiro, o relator aponta que o crime organizado brasileiro “atingiu um patamar de sofisticação em que facções criminosas de base territorial, como o PCC, operam em simbiose com operadores do mercado financeiro formal, valendo-se de fundos de investimento, gestoras de ativos e instituições bancárias para lavar bilhões de reais, corromper agentes públicos e capturar parcelas do aparato estatal e regulatório”.

O senador aponta que as infiltrações envolvem as três esferas federativas e abrangem desde o agente de segurança pública até autoridades dos escalões mais elevados. “Os trabalhos da CPI evidenciaram que o crime organizado contemporâneo não busca necessariamente ocupar diretamente cargos públicos, mas sim garantir acesso ao poder e proteção dentro da esfera estatal”.


Outros poderes

Entre os demais casos citados, o relator comenta sobre a participação de autoridades do Executivo fluminense em organizações criminosas. Segundo o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, seriam os chefes de uma organização criminosa com braços no Executivo e no Legislativo fluminense.

O grupo estaria envolvido na cobrança de propina para aprovação de projetos nas áreas de energia, combustíveis e incentivos fiscais.


Garotinho alegou, ainda, que 47 dos 70 deputados estaduais da Alerj receberiam uma “mesada” do crime organizado. As informações foram obtidas por meio dos celulares apreendidos pela Polícia Federal na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar.

No legislativo, as infiltrações também são apontadas no relatório. “Mensagens obtidas a partir de quebras de sigilo indicaram que Vorcaro mantinha relações próximas com parlamentares de diversos partidos, chegando a comemorar, em conversas privadas, iniciativas legislativas que beneficiariam diretamente o modelo de negócios do banco, como a proposta de ampliação da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF”, diz o texto.

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