Em busca de relação pragmática, governo brasileiro deve ignorar ida de Flávio Bolsonaro aos EUA
Postura também deve ser adotada com o governo argentino, que teria apoiado o senador na passagem pelo país rumo aos EUA
Brasília|Caroline Aguiar, da RECORD Brasília
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A avaliação do governo brasileiro é de que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é tão incontestável que não há necessidade de resposta oficial à carta escrita por Flávio Bolsonaro ou às críticas do presidente norte-americano Donald Trump.
Na última quarta-feira (29), após chegar aos Estados Unidos, Flávio publicou um texto em que diz ter “visto estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar”. Já Trump afirmou que a eleição brasileira “pareceu fraudada e muito ruim”. Nenhum dos dois, contudo, apresentou provas de que tenha havido fraude no pleito.
Legitimidade reconhecida
Assessores do presidente Lula avaliam que responder às acusações seria se rebaixar ao nível das críticas. Além disso, organismos internacionais que auditaram as eleições e o reconhecimento de líderes internacionais, partidos políticos brasileiros e a própria Justiça Eleitoral já cumprem o papel de reforçar a integridade do pleito.
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Uma eventual reação do governo brasileiro poderia vir no nível ministerial, via Itamaraty ou Ministério da Justiça. Mas isso dependeria do surgimento de novos fatos.
A orientação, até o momento, é não reagir e manter uma relação pragmática com os Estados Unidos, focada principalmente nas negociações para o fim do tarifaço e na cooperação para o combate ao crime organizado.
Encontro nos EUA
Nesta sexta (30), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participará da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, nos Estados Unidos. O anfitrião do encontro é o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, um dos principais interlocutores da direita.
Não há uma reunião marcada entre Vieira e Rubio, mas o brasileiro está disposto a tratar da fuga de Flávio Bolsonaro caso o assunto seja abordado pelo chefe do Departamento de Estado.
Relação com a Argentina
A mesma situação deve se repetir com o chanceler argentino Pablo Quirno, que também estará em Atlanta. A viagem de Flávio pode ser abordada com Mauro Vieira, mas o Brasil vai manter a postura de não puxar as discussões por entender que o país está numa situação superior e não tem motivo para se desgastar com o tema.
O governo de Javier Milei teria auxiliado na fuga do parlamentar ao permitir que ele saísse pela fronteira com Puerto Iguazú, mesmo estando com o passaporte cancelado. Na carta em que escreveu, Flávio Bolsonaro chegou a agradecer ao apoio de Milei e Trump.
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