‘Essa tarifa é do Lula’, diz Flávio Bolsonaro sobre taxa dos EUA
Senador afirma que medida é consequência da postura do governo brasileiro e critica discurso do presidente contra os Estados Unidos
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nesta terça-feira (2) um vídeo nas redes sociais em que atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil. “A realidade é que essa tarifa é do Lula”, declarou.
O parlamentar também criticou o presidente da República pelo tom “agressivo” usado ao se referir aos Estados Unidos. “Pelo discurso antiamericano, por defender que o dólar deixe de ser a moeda padrão nas relações internacionais”, afirmou Flávio.
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No vídeo, o pré-candidato ao Planalto frisou ainda que, durante a viagem aos Estados Unidos há uma semana, defendeu que os empresários brasileiros não deveriam ser penalizados pelas tarifas impostas por Washington.
“Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia e perseguição. Muitos estão até saindo do Brasil. Então, eu expliquei que não seria justo taxá-los ainda mais. E reforcei que os Estados Unidos não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil, porque, a partir de janeiro de 2027, o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual. E vai chegar a um acordo que seja bom para as duas nações”, declarou.
Tarifa de 25%
A decisão de propor novas tarifas foi anunciada pelos Estados Unidos nesta terça-feira (2) como resultado de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
Entre os pontos citados pelo governo dos EUA está um suposto tratamento preferencial ao Pix, que, segundo Washington, prejudicaria empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos.
O relatório classifica determinadas políticas e ações do Brasil como “irracionais”, sob o argumento de que elas sobrecarregam e restringem o comércio dos EUA.
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O governo Trump abriu um período de consulta pública antes de oficializar as sanções econômicas. Segundo o documento, o Brasil terá até 15 de julho para adotar medidas corretivas antes da aplicação definitiva das tarifas.
De acordo com o texto divulgado por Washington, as principais críticas estão divididas em quatro áreas:
Comércio digital e redes sociais: os Estados Unidos afirmam que tribunais brasileiros emitiram “ordens secretas” exigindo que plataformas digitais norte-americanas removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de cidadãos dos EUA, em alguns casos com alcance global, além de proibirem a divulgação dessas determinações. O documento também critica a aplicação de multas elevadas e o bloqueio de plataformas.
Serviços financeiros: Washington sustenta que o Brasil prejudica empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos ao adotar políticas que favoreceriam sua “campeã nacional”, em referência ao Pix.
Tarifas e propriedade intelectual: os EUA questionam acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia, que concedem condições tarifárias mais favoráveis a esses países. O relatório também cita a demora na análise de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico, falhas no combate à pirataria e o fim da reciprocidade tarifária para o etanol norte-americano desde 2017.
Governança e meio ambiente: o documento aponta supostas deficiências na aplicação de leis anticorrupção e no combate ao suborno, além de considerar insuficientes as ações de fiscalização contra o desmatamento ilegal, apesar da existência de um arcabouço legal para enfrentá-lo.
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