Lula atribui tarifa dos EUA à família Bolsonaro e chama filhos do ex-presidente de ‘traidores’
Presidente ataca Flávio Bolsonaro e acusa senador de pedir intervenção dos Estados Unidos no Brasil: ‘Covarde’
Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta terça-feira (2) à proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e atribuiu a medida à atuação da família Bolsonaro junto a autoridades americanas.
Em discurso durante evento em Goiás, Lula afirmou que filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam buscado apoio nos Estados Unidos para pressionar seu governo.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer, em alto e bom som: são traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, reclamou Lula.
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O presidente criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que na semana passada teve uma reunião nos EUA com o presidente Donald Trump. O parlamentar disse que pediu ao líder americano para não taxar as empresas brasileiras, mas Lula afirmou que isso é mentira e chamou Flávio de “covarde”.
“O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem, porque esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘Eu não falei nada. Eu não falei nada’. Todo covarde é assim. Fala a m***a que fala, depois não tem coragem de assumir o que fala. Fica tentando mentir”, disse.
“Ele falou, ele foi pedir arrego, foi dizer: ‘Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Trump, não deixa, prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro, ele vai prejudicar é os empresários brasileiros, ele vai prejudicar é o agronegócio”, acrescentou Lula.
Tarifa de 25%
A decisão de propor novas tarifas foi anunciada pelos EUA como conclusão de uma investigação sobre supostas práticas desleais do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Entre os pontos citados pelo país, está um suposto tratamento preferencial ao Pix, que prejudicaria empresas dos EUA.
O órgão americano classificou determinados atos e políticas do Brasil como “irracionais”, sob o argumento de que eles sobrecarregam e restringem o comércio dos EUA.
O governo americano abriu um período de consulta pública antes de oficializar as sanções econômicas. Segundo o documento, o Brasil tem até o dia 15 de julho para adotar medidas corretivas antes da aplicação definitiva das taxas.
De acordo com o documento oficializado por Washington, as principais queixas americanas dividem-se em quatro pilares:
- Comércio digital e redes sociais: o texto aponta que tribunais brasileiros emitiram “ordens secretas” exigindo que plataformas digitais dos EUA removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de cidadãos americanos (às vezes globalmente), proibindo a divulgação dessas ordens. Além disso, critica a aplicação de multas pesadas e o bloqueio de plataformas;
- Serviços financeiros: Washington afirma que o Brasil prejudica injustamente empresas americanas de pagamentos eletrônicos ao adotar políticas que favorecem sua “campeã nacional”, citando especificamente o Pix;
- Tarifas e propriedade intelectual: os EUA criticam os acordos bilaterais do Brasil com México e Índia, que reduzem tarifas para esses países em desvantagem aos produtos americanos. Também há queixas sobre a lentidão do Brasil na análise de patentes (especialmente biofarmacêuticas), falta de combate à pirataria e o fim da reciprocidade tarifária para o etanol americano desde 2017;
- Governança e meio ambiente: o relatório cita falhas na aplicação de leis contra a corrupção e o suborno, além de ineficácia no combate ao desmatamento ilegal, apesar de o país possuir um arcabouço jurídico para isso.
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