‘Estamos diante de um ódio alastrado a mulheres nas mídias sociais’, alerta secretária do MJSP
Operações deflagradas nesta terça miraram criminosos que atuavam na internet disseminando misoginia e planejando ataques
Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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O MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) apresentou, nesta terça-feira (4), detalhes de duas operações deflagradas contra grupos criminosos que atuavam em ambientes virtuais e tinham em comum a disseminação de discursos de ódio contra mulheres.
Segundo Sheila Santana de Carvalho, secretária de Acesso à Justiça, a misoginia nas redes sociais precisa ser tratada como uma preocupação de toda a sociedade.
“Estamos diante de ódio alastrado a mulheres nas redes sociais. Temos que ver tudo isso como um problema da sociedade brasileira. Pais e mães precisam ver o que os filhos fazem online”, afirmou.
Planejamento de ataques
Na Operação Rede Interrompida, conduzida pela PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal), os investigadores miraram ao menos oito suspeitos, com idades entre 19 e 31 anos, em cinco estados: Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Segundo o MJSP, o grupo utilizava a internet para compartilhar manuais de fabricação de explosivos e venenos, discutir estratégias de recrutamento e espalhar discursos de ódio direcionados, também, a mulheres em posições de autoridade.
Entre as conversas monitoradas estavam discussões sobre invasão de prédios públicos, formação tática e análise de mapas em Brasília.
Misoginia
Já a Operação Lívia, coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, teve origem na investigação da morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo em uma plataforma digital, em Naviraí (MS).
De acordo com as investigações, a organização criminosa identificava crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional nas redes sociais.
Após conquistar a confiança das vítimas, os criminosos exerciam controle psicológico e as obrigavam a participar de grupos fechados, onde eram submetidas a humilhações, desafios violentos, automutilação e indução ao suicídio.
De acordo com a secretária do MJSP, a maior parte dos pais dos criminosos ficou “surpresa” com as prisões. “Os pais da maioria dos jovens apreendidos foram pegos de surpresa. Isso se chama escravidão digital. Essas meninas estão sendo escravizadas online”, contou.
Além disso, o Ministério declarou que o grupo tinha planejado outra morte, mas que foi possível impedi-la.
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