Lula critica FMI e diz que fez 'tudo o que podia fazer' para ajudar Argentina a pagar dívida
Débito foi contraído em grande parte pelo governo anterior, argumentou presidente brasileiro em conversa com jornalistas
Brasília|Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação à gestão da dívida com a Argentina e afirmou que que fez "tudo o que podia fazer" para ajudar o país comandado por Alberto Fernández. A declaração foi dada nesta quarta-feira (2) durante café da manhã com jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto.
"Eu sinceramente [fiz] tudo o que podia fazer de esforço, de contato, de telefonema, de reunião para tentar ajudar a Argentina. Desde ligar para o Xi Jinping [presidente da China], desde conversar com banco, desde Dilma [Rousseff] ajudar. Tentamos fazer o que era possível dentro do marco legal que existe hoje nas instituições financeiras, porque as regras foram estabelecidas há muito tempo e é preciso que a gente mude determinadas regras", disse Lula.
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O presidente disse estar preocupado em pensar como um país como a Argentina, que já foi "a quinta economia do mundo", chegou na atual situação. No ano passado, o país liderado por Fernández, aliado de Lula, fechou acordo para renegociação do débito com o FMI, em torno de R$ 230 bilhões. "Tudo isso muito em função de uma dívida contraída por outro governo e que ficou para o atual governo pagar essa dívida aí", afirmou o petista.
Depois, Lula criticou a entidade internacional. "O FMI deveria ter um pouco de paciência, saber da situação da seca na Argentina, em que 25% da produção agrícola foi praticamente dizimada por causa da seca. Portanto, a Argentina deixou de vender alguns bilhões de dólares. E o FMI poderia levar em conta e não ficar com a espada em cima da cabeça do presidente da Argentina", defendeu.
BNDES
Em junho, Lula avaliou como positivas as perspectivas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) das exportações de produtos para a construção do Gasoduto Presidente Néstor Kirchner, na Argentina. A expectativa é conseguir cerca de 689 milhões de dólares para a execução da segunda etapa da obra, na região de Vaca Muerta. O local tem a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e é a quarta maior em óleo de xisto.
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"Fico muito satisfeito com as perspectivas positivas de financiamento do BNDES à exportação de produtos para a construção do gasoduto presidente Néstor Kirchner", disse Lula na ocasião. "Estamos trabalhando na criação de uma linha de financiamento abrangente das exportações brasileiras para a Argentina. Não faz sentido que o Brasil perca espaço no mercado argentino para outros países porque eles oferecem crédito e nós não", completou.
O investimento em um gasoduto que utiliza técnicas de exploração consideradas nocivas ao meio ambiente contradiz a política ambiental e de transição energética que o petista defende desde a campanha eleitoral. A exploração de gás de xisto não é regulamentada no Brasil e chegou a ser proibida pela Justiça Federal em estados como Piauí, Sergipe, Paraná e São Paulo. Foram apontados potenciais riscos ao meio ambiente, à saúde humana e à atividade econômica regional, o que fez com que a exploração fosse interrompida.












