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Lula ligou para dizer ‘fique firme’, revela Jaques Wagner após operação da PF

Líder do governo no Senado diz que dólares e euros apreendidos pela PF são de diárias de viagens oficiais e nega ligação com Master

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Jaques Wagner, senador e líder do governo no Senado, nega irregularidades sobre US$ 49 mil apreendidos pela PF, afirmando que são diárias de viagens oficiais.
  • O senador contesta suspeitas de ligação com o Banco Master e nega envolvimento em vantagens indevidas.
  • Wagner explica que um apartamento de luxo em Salvador, suspeito de ser adquirido em benefício próprio, ainda está em construção e seria para sua filha.
  • Investigação da Operação Compliance Zero, que envolve Augusto Lima, foca em negócios do Banco Master na Bahia; Wagner nega relação com o empresário Daniel Vorcaro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Senador também comentou que Lula o telefonou para 'prestar solidariedade' Geraldo Magela/Agência Senado - Arquivo

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), afirmou em uma entrevista nesta quinta-feira (18) que não tem “absolutamente nada a esconder” sobre as suspeitas levantadas pela Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero.

O parlamentar revelou ter recebido uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação. “Ele me ligou apenas para dizer: ‘Fique firme. Esta é uma tentativa de desestabilizá-lo. Conte com a minha confiança’.”


Alvo de mandados de busca e apreensão, o parlamentar negou ter recebido vantagens indevidas ligadas ao Banco Master e contestou os principais pontos da investigação.

Entre os elementos apreendidos pelos investigadores estão quase R$ 600 mil em espécie. A PF encontrou US$ 49 mil em um quarto de hotel em Brasília vinculado ao senador, além de R$ 16.500, US$ 16.795 e € 39.675 em um endereço na Bahia.


Wagner afirmou que o dinheiro tem origem em diárias recebidas durante viagens oficiais ao exterior e em compras de moeda estrangeira.

“Em várias ocasiões viajei para o exterior. Cheguei, inclusive, a solicitar o levantamento de recursos e, de 2019 para cá, recebi aproximadamente US$ 70 mil. Nas outras viagens que fiz, comprei dólares ou euros por meio do Banco do Brasil para custear minhas despesas. Não tenho absolutamente nada a esconder sobre esse dinheiro. Ele está guardado em um cofre e permanece lá”, disse.


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Wagner também explicou que os envelopes apreendidos pelos investigadores continham o timbre do Senado porque eram utilizados para o recebimento de diárias pagas em espécie.

“Os envelopes apreendidos em Brasília eram envelopes com o timbre do Senado Federal, utilizados quando se recebe diária em espécie, em dólar. Do ponto de vista da origem desse dinheiro, estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou de Augusto Lima [ex-sócio de Daniel Vorcaro]”, afirmou.


Apartamento

Outro ponto da investigação envolve um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. A PF suspeita que o imóvel tenha sido adquirido em benefício do senador por intermédio do empresário Augusto Lima, apontado como personagem central das apurações na Bahia.

Wagner negou a versão e disse que o imóvel ainda está em construção. Segundo ele, a ideia era ajudar a filha a adquirir a propriedade futuramente.

“Trata-se de um apartamento que ainda está em construção. Eu tinha interesse em ajudar minha filha a adquirir um imóvel desse tipo e, como Augusto Lima é um investidor, eu lhe disse: ‘Você pode comprar agora e, depois, eu recompro’, porque naquele momento eu não estava pronto para realizar a compra.”

O senador acrescentou que não houve transferência patrimonial nem qualquer vínculo empresarial com o Banco Master.

“Não houve nenhuma transferência de patrimônio para mim. Também não tenho nenhum negócio com o Master ou com a Credcesta.”

Relação com Vorcaro

Questionado sobre a relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Wagner afirmou que os contatos foram esporádicos e ligados a negócios conduzidos por Augusto Lima.

“Minha relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero. Nunca tive maiores entendimentos com ele. O contato ocorreu apenas no contexto da venda da Credcesta. Augusto Lima comprou a rede de mercados e depois procurou um banco para obter fluxo de caixa e viabilizar operações de empréstimo.”

Segundo o senador, ele encontrou Vorcaro apenas duas vezes.

“Estive com Daniel apenas duas vezes. A primeira, quando eu estava entrando como sócio de Augusto na Credcesta. A segunda, quando Augusto Lima me pediu uma indicação jurídica para o banco. Na ocasião, apresentei o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski como possível assessor jurídico.”

Wagner também negou ter intermediado qualquer conversa entre Vorcaro e Lula.

Mensagens investigadas

Em uma das mensagens obtidas pela PF, Augusto Lima afirmou ao senador: “Você, mais do que ninguém, sabe da minha história e faz parte dela”, ao comentar os processos relacionados à venda do Banco Master ao BRB.

Questionado sobre o conteúdo da conversa, Wagner disse não se lembrar do contexto exato da mensagem e afirmou que a frase se referia à trajetória pessoal do empresário.

“As palavras de Augusto Lima, sinceramente, eu não me lembro exatamente em que contexto foram ditas. Na minha opinião, ele quis dizer que eu conheço a trajetória dele, fazendo referência à história de uma pessoa trabalhadora que cresceu e prosperou por meio do próprio esforço e trabalho.”

Operação

A nova fase da Operação Compliance Zero mira o que investigadores chamam de “coração” dos negócios do Master na Bahia: o Credcesta, principal ativo do Banco Pleno e produto de crédito consignado voltado a servidores públicos baianos, administrado por empresas de Augusto Lima.

As buscas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça e incluíram endereços pessoais, residenciais e profissionais dos investigados, mas não alcançaram o gabinete de Wagner no Senado.

Augusto Lima chegou a ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi posteriormente solto por decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). A PF também investiga seu suposto envolvimento na operação de venda do Banco Master ao BRB.

Esta é a primeira vez que a força-tarefa tem como alvo um aliado próximo do governo Lula. A investigação segue em andamento no STF e ainda não há denúncia formal apresentada contra o senador.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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