Ministério detalha setores mais afetados em caso de taxação pelos Estados Unidos
Tarifa ameaça 21% das exportações aos EUA e atinge bens da indústria, como máquinas e equipamentos de valor agregado
Brasília|Da Agência Brasil
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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, listou, nesta terça-feira (2), os setores produtivos que correm risco caso a proposta do governo dos Estados Unidos de taxar em 25% os produtos brasileiros venha a ser implementada.
“Os setores mais atingidos seriam os de máquinas, os equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo, como disse o vice-presidente [Geraldo Alckmin], para emprego, para renda, para as indústrias”, destacou.
De acordo com o ministro, a decisão tarifária ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
Veja a lista dos setores mais expostos:
- Máquinas e equipamentos industriais;
- Produtos de plástico;
- Calçados;
- Produtos de madeira, como esquadrias;
- Papel cartão;
- Ferro fundido;
- Peixes e crustáceos.
A declaração do titular do MDIC foi dada em Brasília, ao lado do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, para dar resposta sobre como o governo federal reagirá ao relatório do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos). O documento foi emitido nesta segunda-feira (1º) e propõe tarifa adicional de 12,5%.
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Soberania
O ministro Márcio Rosa foi taxativo ao dizer que não haverá retrocesso em temas relativos à soberania nacional, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, por isso, o Pix não entra na pauta de negociações do Brasil.
“[O Pix] não está na mesa de negociação, não há hipótese para isso. Nós vamos, sempre que possível, demonstrar não apenas para o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual é a linha de esclarecimento e de defesa do Brasil”, disse.
O ministro criticou quem prejudica o avanço do diálogo entre Brasília e Washington. “Toda vez que a gente avança, surge um complicador, alguém para dificultar o diálogo e, muitas vezes, há uma ameaça de retrocesso”, declarou.
Márcio Rosa mencionou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teve agenda na Casa Branca, na última semana. Para o ministro, o movimento do parlamentar para classificar as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas pelos Estados Unidos acaba comprometendo os trabalhos realizados pelas autoridades brasileiras.
“Ele [senador Flávio Bolsonaro] acaba por produzir um resultado que contraria a ação das nossas polícias, por exemplo, da Polícia Federal, que mantém relação de atuação cooperada e conjugada com as autoridades norte-americanas”, frisou.
O ministro salientou que o próprio presidente Lula já apresentou ao correspondente norte-americano a proposta brasileira de combate à corrupção. “É importante que nós fiquemos com muita transparência, esclarecendo o posicionamento do Brasil pela defesa, única e exclusivamente, dos interesses do povo brasileiro”, afirmou.
Canais de diálogo
O ministro Márcio Rosa lembrou que o Brasil mantém canais abertos permanentes, desde que o presidente Lula esteve reunido com o presidente dos EUA, Donald Trump.
Desde então, o governo brasileiro teria participado de, ao menos, quatro reuniões formais recentes com o USTR — a última em 28 de maio, estendendo-se a discussões técnicas até a manhã do dia seguinte.
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