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Pergunta sobre Bolsonaro e elogio a Lula; os bastidores da reunião entre Flávio e Trump

O encontro serviu para o pré-candidato do PL como uma pauta positiva em meio à crise gerada pelo Caso Master

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump na Casa Branca, discutindo temas relacionados a Lula e Jair Bolsonaro.
  • Trump elogiou Lula, mencionando seu dinamismo e comparou suas experiências judiciais com as de Bolsonaro.
  • Durante o encontro, Flávio presenteou Trump com camisas da seleção brasileira, que foram retidas para inspeção.
  • O encontro foi visto como uma pauta positiva para Flávio em meio a uma crise na pré-campanha presidencial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump junto de seu irmão Eduardo e do jornalista Paulo Figueiredo Andressa Anholete/Agência Senado - 30.04.2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro foram assunto da conversa nesta terça-feira (26) entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na reunião no Salão Oval da Casa Branca, sem a presença de jornalistas, o presidente dos EUA citou seus encontros prévios com Lula — o último sendo duas semanas antes da recepção a Flávio Bolsonaro.


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Trump voltou a fazer ao petista a referência elogiosa de que o considera um político dinâmico, apesar da idade avançada, algo que chegou a comentar publicamente após a visita de Lula a Washington. Lula, por sua vez, sempre faz questão de lembrar que ambos são homens na casa dos 80 anos.

Além disso, o presidente americano repetiu com o filho 01 do ex-presidente brasileiro o roteiro que fez com Lula na Malásia, momento em que o petista e o republicano realizaram uma reunião de trabalho com suas equipes de governo pela primeira vez.


Na ocasião, como revelou o Estadão, Trump quis saber de Lula detalhes de sua prisão na Operação Lava Jato e dos 580 dias de cadeia. O interesse impressionou o governo por demonstrar que Trump havia estudado a biografia do petista. Ele repetiria o interesse no assunto semanas atrás, na recente conversa na Casa Branca.

Agora, segundo relatos de testemunhas, Trump quis saber das condições de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele perguntou do período em que ele ficou preso em regime fechado, por causa da condenação por golpe de Estado, e também das atuais condições em prisão domiciliar.


Nessas ocasiões, segundo relato de aliados de Lula e de Flávio, Trump costuma fazer comparações aos processos judiciais que sofreu nos EUA, em virtude dos atos de 6 de janeiro 2021, a invasão ao Capitólio.

“O presidente Trump comentou sobre o encontro com o presidente Lula. Elogiou o seu dinamismo, mas também fez outros comentários que prefiro manter reservados”, disse Paulo Figueiredo, comunicador aliado dos Bolsonaro que ajudou a articular a visita. Ele e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foram os únicos a entrar com Flávio.


Segundo Figueiredo, o encontro durou cerca de uma hora. A comitiva de Flávio disse que eles permaneceram uma hora e 40 minutos na Casa Branca, e que chegaram no local por volta das 15h. Além da reunião, ele posou para fotos na galeria de presidentes dos EUA.

“[Trump] ficou muito impressionado com a perseguição. Perguntou da prisão [de Bolsonaro], como era, e da saúde”, relatou o comunicador bolsonarista.

Flávio Bolsonaro trajava uma gravata verde e amarela e levou para Trump e seus familiares camisas da seleção brasileira de futebol, com nome gravado nas costas, mas o presente ficou retido para inspeção do serviço secreto, uma praxe.

Embora a foto ao lado de Trump tenha sido divulgada inicialmente pelo entorno de Flávio Bolsonaro, a imagem foi capturada por uma equipe da própria Casa Branca. Segundo testemunhas do encontro, eles não puderam entrar no Salão Oval com telefones celulares ou eletrônicos.

O encontro serviu para Flávio como uma pauta positiva em meio à crise na pré-campanha em razão da revelação de diálogos e de pedidos de dinheiro feitos por ele ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso em razão das fraudes bilionárias do Banco Master.

O próprio senador fez questão de dizer, num discurso lido à imprensa, que o encontro era uma forma de “reconhecimento” por parte de Trump de que sua candidatura era “séria”, “sólida” e “confiável”. Ele disse que quis oferecer uma “alternativa” aos EUA de um presidente “aliado”.

Entre a comitiva bolsonarista se deslocar para a Casa Branca até o momento de divulgação da foto, havia tensão no ambiente da pré-campanha. Aliados evitavam confirmar o encontro — que segundo Flávio ocorreu após um e-mail com convite direto da presidência americana — e temiam que a agenda de Trump e alguma negociação de última hora com o Irã impedisse a reunião.

Eles se concentraram no tradicional hotel The Willard, nas imediações da Casa Branca. Ele se reuniu com Eduardo, Figueiredo e recebeu apoio de ex-colaboradores da Presidência da República, parlamentares e pré-candidatos bolsonaristas.

Quem apareceu no hotel foi Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado que atua em políticas para o Brasil e foi recentemente barrado por Lula no Brasil e impedido de visitar Jair Bolsonaro na prisão. Beattie é parte do movimento trumpista e integra uma ala ideológica da diplomacia americana.

Durante esse período, protagonizaram um embate com o Itamaraty. O gabinete do senador mandara um e-mail, na véspera, um feriado nos EUA, e somente à noite, pedindo apoio com uma sala na embaixada brasileira, para conceder uma coletiva de imprensa. A embaixada não respondeu a tempo, segundo eles, e a entrevista foi transferida para outro endereço. Dela participou outro nome ligado a Trump, o conselheiro Jason Miller.

Segundo diplomatas, não havia comunicação com antecedência para tomada de providências, tampouco qualquer aviso por parte do Senado de que a visita era parte de uma missão oficial, quando a embaixada tem por regra prestar apoio aos parlamentares, inclusive logístico, com carros.

Depois da entrevista, Flávio e aliados se reuniram numa casa no número 29 da N Street NW, onde pediram pizza da rede de fast food Domino’s e refrigerante Coca Diet. Lá, Flávio gravou vídeos com influenciadores de direita, que exaltavam a lembrança recebida pelo presidenciável do PL - uma challenge coin com nome de Trump gravado. Ele também posou para fotos com aliados e deixou-se gravar em uma oração.

Ainda na capital americana, nesta quarta-feira (27), o pré-candidato do PL e seus aliados vão visitar o Departamento de Estado, após o retorno aos EUA do secretário Marco Rubio, um histórico aliado político.

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