PGR denuncia Bacellar, TH Joias e outros três por atrapalharem investigação que mirava o CV
No ano passado, TH Joias foi avisado antecipadamente de que seria alvo de operação da PF e orientado a destruir provas
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) denúncia contra o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e mais duas pessoas pelo vazamento de informações sigilosas sobre uma operação policial que visava desarticular o Comando Vermelho.
Os denunciados pela PGR são
- Rodrigo Bacellar: deputado estadual, ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro);
- TH Joias: ex-deputado estadual;
- Macário Ramos Júdice Neto: desembargador federal;
- Thárcio Nascimento Salgado: autônomo, apontado como assessor parlamentar e operador financeiro do grupo;
- Jéssica de Oliveira Santos: estudante e mulher de TH Joias.
Segundo a denúncia, o grupo agiu de forma livre, consciente, voluntária e coordenada para atrapalhar uma operação deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 contra a organização criminosa. O R7 tenta contato com as defesas dos envolvidos.
A PGR denunciou os envolvidos por obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa armada. Além da obstrução de investigação, Macário Ramos Júdice Neto foi denunciado pelo crime de violação de sigilo funcional.
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As ligações do grupo com o Comando Vermelho incluem vazamento de informações para favorecer o tráfico de drogas.
Ao revelar a existência de medidas cautelares sigilosas que seriam cumpridas pela operação da PF, como mandados de prisão e de busca e apreensão, os denunciados teriam permitido que lideranças do grupo, como TH Joias, esvaziassem suas residências e fugissem antes da chegada da polícia.
“Os elementos de que os autos estão refertos, portanto, não deixam dúvidas de que os denunciados obstruíram a investigação de infração penal que envolve organização criminosa armada, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal”, diz o procurador-geral, Paulo Gonet.
O que dizem os denunciados
A defesa de Rodrigo Bacellar disse que recebe com surpresa a denúncia oferecida pela PGR, “uma vez que está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas, por meio de extensa prova documental”.
“A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que nada foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos”, afirmaram os advogados.
Bacellar foi afastado da presidência da Alerj ao longo das investigações. Em fevereiro deste ano, ele apresentou pedido de licença do mandato. O político é monitorado via tornozeleira eletrônica.
A equipe jurídica do deputado lembrou que “foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita, o que se espera seja brevemente reconhecido e declarado”.
Prisão de TH
TH foi detido em 3 de setembro do ano passado por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armas, fuzis e equipamentos antidrones para o Comando Vermelho e de usar o mandato para favorecer a facção. Em dezembro do ano passado, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH.
Naquele mês, ele anunciou a abertura de investigação sobre possível vazamento de informações da operação, após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas.
As investigações da Operação Zargun identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, ex-secretário municipal e estadual e TH Joias.
A organização, segundo a PF, se infiltrou na administração pública “para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais”.
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