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Preso por suposta fraude em cartão de vacina disse saber quem mandou matar Marielle

Afirmação foi feita por Ailton Barros ao ex-ajudante de ordens Bolsonaro Mauro Cid em mensagens obtidas pela Polícia Federal

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília


Ailton Barros foi candidato a deputado estadual pelo PL
Ailton Barros foi candidato a deputado estadual pelo PL

Preso pela Polícia Federal durante a operação para investigar fraudes nos certificados de vacinação contra a Covid-19, o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros, de 61 anos, afirmou em mensagens obtidas pela Polícia Federal saber quem mandou matar a vereadora e ativista Marielle Franco.

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"Eu sei dessa história da Marielle toda, irmão. Sei quem mandou. Sei a p... toda. Entendeu?", diz a mensagem de áudio de Ailton transcrita no relatório da Polícia Federal. No diálogo, no entanto, ele não revela o nome do suposto mandante doi crime.

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Ailton foi candidato a deputado estadual pelo PL no Rio de Janeiro e se intitulava como o "01 de Jair Messias Bolsonaro" durante a campanha eleitoral.

As informações foram trocadas entre o ex-major e o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, que era ajudante de ordens de Bolsonaro e também foi preso nesta quarta-feira (3). 

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Os dados foram obtidos a partir da quebra de sigilo do telefone de Mauro Cid. No áudio trocado entre os dois investigados, Ailton afirmou que o ex-vereador do Rio de Janeiro Marcello Moraes Siciliano intermediou a inserção de dados falsos de vacinação nos sistemas do Ministério da Saúde em benefício da esposa de Cid.

Siciliano é citado no caso de Marielle e teve o visto para os Estados Unidos cancelado em razão das investigações. sobre o crime. Na mensagem, Ailton pede a Cid que intermedie um encontro entre Siciliano e o cônsul dos Estados Unidos no Brasil para resolver a questão do visto "em contrapartida pelo êxito na inserção dos dados falsos", como detalha o relatório da Polícia Federal. "Deixa comigo, coronel. Vamos ver, vamos ver o que eu consigo aqui", respondeu Cid. 

Os policiais apuraram que houve fraude para emissão de certificado de vacinação em favor de Mauro Cid, da esposa do ajudante de ordens e de suas filhas, de Jair Bolsonaro, da filha mais dele e dos seguranças do ex-presidente Max Guilherme de Moura e Sergio Cordeiro, também presos na operação. O deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) também teria emitido certificado falso.

Procurada pela reportagem, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou que não vai comentar o caso. "Informações sobre vistos e imigração são protegidas pela lei de privacidade dos Estados Unidos e são proibidos quaisquer comentários sobre casos privados."

Morte de Marielle Franco

Na noite de 14 de março de 2018, a vereadora pelo Psol do Rio de Janeiro Marielle Franco foi assassinada no centro da cidade junto com o motorista dela, Anderson Gomes. Homens em um carro dispararam tiros contra o veículo em que os dois estavam.

Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz são acusados de matar a vereadora. Até hoje, as investigações não chegaram ao mandante do crime.

Entenda a Operação Venire

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (3) 16 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva na Operação Venire, que investiga a inserção de dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema ConecteSUS, do Ministério da Saúde. Entre os beneficiários estariam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a filha dele, Laura Bolsonaro.

Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão inclusive na casa de Jair Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro.

Foram presos os ex-ajudantes de ordens de Bolsonaro Mauro Cid e Luis Marcos dos Reis; Max Guilherme de Moura e Sergio Cordeiro, seguranças do ex-presidente; Ailton Moraes Barros, candidato a deputado estadual pelo PL no Rio de Janeiro em 2022; e João Carlos de Souza Brecha, secretário da Prefeitura de Duque de Caxias (RJ).

De acordo com a Polícia Federal, as inserções falsas foram feitas entre novembro de 2021 e dezembro de 2022. O crime teria sido praticado para burlar restrições sanitárias e viajar para países como os Estados Unidos, que exigiam vacinação à época para entrar no país. As informações foram excluídas posteriormente.

"A apuração indica que o objetivo do grupo seria manter coeso o elemento identitário em relação a suas pautas ideológicas, no caso, sustentar o discurso voltado aos ataques à vacinação contra a Covid-19", afirma a corporação.

Os envolvidos são investigados por crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores. As ações ocorrem dentro do inquérito policial que investiga as chamadas "milícias digitais", supostas organizações de difusão de informações falsas na internet com objetivo de influenciar resultados eleitorais e atentar contra a democracia.

O nome da operação deriva do princípio jurídico "venire contra factum proprium", que significa "ninguém pode comportar-se contra seus próprios atos". De acordo com nota da Polícia Federal, "é um princípio base do direito civil e do direito internacional, que veda comportamentos contraditórios de uma pessoa".

O ex-presidente afirmou que não existe adulteração por parte dele no documento de vacinação e reafirmou não ter tomado o imunizante por "decisão pessoal". "Fico surpreso com a busca e apreensão com esse motivo", completou.

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