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Ramagem pode ser extraditado por condenação no Brasil, mas asilo surge como obstáculo

Condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Alexandre Ramagem foi preso nos EUA na segunda-feira (13)

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Alexandre Ramagem, ex-deputado federal, foi preso na Flórida após tentativa de golpe de Estado.
  • Ele pode ser extraditado para o Brasil devido à sua condenação a 16 anos de prisão.
  • Ramagem tentou buscar asilo político nos EUA, alegando sentir-se seguro sob suas leis.
  • A decisão sobre extradição dependerá de um pedido formal do Brasil e da análise das autoridades americanas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ex-deputado já consta nos dados do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA) Reprodução/Governo dos EUA - 14.04.2026

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem está preso desde segunda-feira (13) na Flórida, Estados Unidos. Segundo especialistas ouvidos pelo R7, o fato de Ramagem ter sido condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado pode fazer com que ele seja extraditado para o Brasil.

O político foi preso enquanto tentava comprar um carro usando um passaporte que havia sido cancelado. Ramagem chegou ao país usando um documento a nível diplomático que já estava suspenso pelo Ministério das Relações Exteriores.

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De acordo com a PF (Polícia Federal), Ramagem deixou o Brasil de forma ilegal em setembro de 2025, mesma época em que o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) ocorria.

Leia mais

Extradição X Deportação

De acordo com Vinicius Bicalho, advogado licenciado nos EUA e professor de direito migratório, somente duas possibilidades podem ser cogitadas atualmente: a extradição ou deportação.

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“No atual momento, nós temos duas possibilidades na mesa, que são a deportação por alguma irregularidade imigratória ou uma extradição pela ocorrência de algum crime no Brasil”, analisa.

Entretanto, Alexandre Ramagem afirmou publicamente que buscaria asilo político no país norte-americano e que se sentia “seguro” sob a proteção das leis americanas.

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“Esse pedido de asilo pendente, naturalmente, pode superar essa questão do passaporte diplomático e do passaporte comum dele, que não estão em vigor mais no atual momento”, comenta.

Com isso, Bicalho explica que, caso o governo americano entenda que ele esteja sendo vítima de fato de uma perseguição, naturalmente ele pode manter um status de asilado nos Estados Unidos.

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“A condenação criminal de Ramagem no Brasil e o apontamento disso na Interpol podem, sim, dar ensejo a um processo de extradição. Mas, se porventura o governo americano entender que o crime pelo qual ele foi condenado tem uma correlação dele com eventual perseguição política, naturalmente o governo pode interpretar que essa condenação não é justa, tendo em vista que ela é oriunda de perseguição política. E, nesse cenário, isso pode inviabilizar assim o processo de extradição.”

Possível cenário

Bruno Lossio, advogado especialista em imigração, afirma que a situação dos documentos de Ramagem pode agravar sua condição com a justiça migratória americana e que, além disso, pode influenciar diretamente na decisão entre deportação e extradição.

“Esse tipo de situação pode agravar a análise do caso perante as autoridades migratórias. No caso dele, se ficar comprovado que houve uso consciente de um documento inválido ou irregular, isso pode caracterizar fraude ou má-fé, o que tende a pesar negativamente em qualquer análise administrativa ou judicial relacionada à permanência dele nos EUA. Isso pode resultar, por exemplo, em inadmissibilidade futura, cancelamento de vistos e outras sanções migratórias”, fala.

Ele explica que a decisão sobre extradição dependerá principalmente da existência de um pedido formal do Brasil.

“A decisão entre deportação e extradição não se baseia apenas em irregularidades migratórias. A deportação é um procedimento administrativo, conduzido pelas autoridades migratórias, focado na violação das leis de imigração. Além do pedido formal brasileiro, são necessárias a tipificação dos crimes, o cumprimento dos requisitos do tratado bilateral e a análise do Judiciário”, evidencia.

Critérios

Caso o Brasil formalize um pedido de extradição, os Estados Unidos seguem um procedimento jurídico bem definido, baseado no tratado bilateral de extradição e na legislação americana.

O processo começa com o envio formal do pedido pelo governo brasileiro, acompanhado das acusações, provas e fundamentos legais. Em seguida, autoridades americanas analisam requisitos básicos, como o princípio da dupla tipificação, já que o fato precisa ser crime nos dois países, e a suficiência de indícios.

Depois, o caso é submetido a um juiz federal, que realiza uma audiência para verificar se os critérios legais foram atendidos. Nessa fase, não se julga a culpa ou inocência, apenas se há base jurídica para a extradição. Se o juiz considerar que sim, ele emite uma certificação.

A decisão final, no entanto, é do Poder Executivo, por meio do Departamento de Estado, que pode levar em conta aspectos diplomáticos, humanitários e de interesse nacional antes de autorizar ou não a entrega.

Especialista em direito internacional, Henrique Scliar explica que não existe um prazo para isso acontecer. “Não há um tempo fixo. Em casos semelhantes, o processo pode levar de alguns meses a mais de um ano, dependendo da complexidade, da apresentação de recursos pela defesa e da tramitação entre as instâncias judiciais e administrativas”, comenta.

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*Estagiária sob supervisão de Joana Pae, editora de texto

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