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STF define redução da taxa de desmatamento e abertura de crédito ao julgar 'pauta verde'

Desflorestamento deve ser reduzido para 3.925 km anuais até 2027 na Amazônia Legal e chegar a zero em terras indígenas até 2030

Brasília|Giovanna Inoue, do R7, em Brasília

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Ministros acompanharam relatora com divergências
Ministros acompanharam relatora com divergências Arquivo/Agência Brasil - Arquivo

Durante julgamento da "pauta verde", o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou nesta quinta-feira (14), por unanimidade, a abertura de créditos extraordinários para a manutenção de políticas ambientais, somadas a providências para reduzir a taxa de desmatamento na Amazônia Legal para 3.925 km anuais até 2027. O Congresso Nacional deve ser notificado sobre alocação de recursos para redução do desflorestamento.

O julgamento da (ADPF) Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 760 e da (ADO) Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão 54 começou em abril de 2022. Depois do voto da relatora Cármen Lúcia, o julgamento foi suspenso pelo pedido de vista do ministro André Mendonça e retomado em fevereiro deste ano.

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Segundo a relatora, que atualizou o voto devido ao tempo decorrido desde o começo do julgamento, é preciso que providências sejam tomadas para reduzir as taxas de desmatamento no âmibto do PPCDAm (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal). Cármen Lúcia determinou que ações sejam implantadas para que o desmatamento ilegal em terras indígenas chegue a zero até 2030.

No voto original, a ministra tinha considerado que acontecia uma violação massiva de direitos fundamentais devido ao desmatamento ilegal. Na atualização do voto, Cármen Lúcia considerou que, devido à mudança da gestão federal, um processo de retomada do exercício da proteção constitcuional do meio ambiente está em andamento.

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Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso acompanharam a relatora, mas divergiram sobre a violação de direitos por entender que a política ambiental mudou desde quando a ação foi apresentada, devido à troca de governo.

Fachin e Fux tanbém acompanharam a relatora, mas afirmam que ainda há uma violação de direitos, mas que está em processo de mudança.

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Moraes afirma que a declaração de violação de direitos era pertinente para a época em que o voto original da ministra foi feito, mas que a troca de governo trouxe mudanças. "A partir do momento em que condutas governamentais são praticadas, mesmo que possamos entender que ainda não de maneira suficiente pra resolver o problema, houve uma inflexão governamental do poder executivo no sentido de 'estancar a boiada'", explica.

"Passar a boiada"

O comentário do ministro faz referência à uma fala de Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante uma reunião ministerial em abril de 2020, Salles foi gravado sugerindo que o momento do início da pandemia fosse aproveitado para "ir passando a boiada", de modo que as leis ambientais fossem flexibilizadas.

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"Então para isso precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas", disse o então ministro.

Salles pediu demissão do cargo em junho de 2021 e foi sucedido por Joaquim Leite.

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