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STF volta a analisar divisão dos royalties do petróleo após 13 anos; entenda o que está em jogo

AGU defende a inconstitucionalidade da lei e alerta para possíveis perdas financeiras significativas para a União e municípios

Brasília|Augusto Fernandes e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • STF retoma julgamento sobre a divisão de royalties do petróleo após mais de uma década de impasse.
  • Lei 12.734/2012, que altera a partilha de royalties, foi suspensa em 2013 e gera controvérsias entre estados produtores e não produtores.
  • A AGU defende a inconstitucionalidade da lei e alerta para possíveis perdas financeiras significativas para a União e municípios.
  • CNM critica a mudança de posicionamento da AGU e destaca a perda estimada de R$ 121 bilhões para municípios não produtores devido à indefinição.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Cármen Lúcia
Cármen Lúcia é a relatora do julgamento Alejandro Zambrana/Secom/TSE - 04.05.2026

O STF (Supremo Tribunal Federal) volta a julgar nesta quarta-feira (6) um conjunto de ações que tratam da distribuição dos royalties do petróleo. O tema retorna ao plenário após mais de uma década parado, desde 2013, quando uma decisão liminar da ministra Cármen Lúcia suspendeu as novas regras de partilha definidas pela Lei 12.734/2012.

Em discussão está a validade da lei que altera a divisão desses recursos, reduzindo a fatia destinada a estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo, e ampliando a participação de estados e municípios não produtores.

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Relatora das principais ações, Cármen Lúcia conduz o julgamento de cinco processos que contestam o novo modelo. O ministro Luiz Fux relata uma ação específica sobre a antecipação de receitas de royalties.

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A retomada do caso ocorre em meio à tentativa de destravar um impasse histórico. A regra atual, aprovada há mais de uma década, nunca foi plenamente aplicada devido à disputa judicial. Agora, o julgamento é visto como decisivo para definir o futuro da distribuição desses recursos no país.

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De um lado, estados não produtores, apoiados pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), defendem uma divisão mais equilibrada, com maior alcance nacional. De outro, estados produtores alertam para o impacto fiscal da mudança. O Rio de Janeiro, por exemplo, estima perdas de até R$ 50,7 bilhões entre 2026 e 2032 caso a nova regra seja implementada integralmente.

Para tentar viabilizar um acordo, estados e municípios apresentaram uma proposta que prevê a aplicação imediata da lei com uma transição gradual de sete anos, até 2032. Ainda assim, governadores de estados produtores afirmam que a medida pode comprometer as finanças locais e levar a cenários de insolvência.

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AGU diz que União pode perder R$ 9 bilhões por ano

Na terça-feira (5), a AGU (Advocacia-Geral da União) enviou uma manifestação ao STF sobre o julgamento. O órgão defende que a Lei 12.734/2012 seja considerada inconstitucional e se coloca contra as alterações nas regras de distribuição de royalties e participações especiais de petróleo promovidas pela norma.

A AGU afirma que, se o STF considerar a lei válida e derrubar a decisão que a suspendeu desde 2013 com efeito retroativo, a União pode perder cerca de R$ 9 bilhões por ano.

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Além disso, o órgão diz que seria necessário refazer os cálculos e devolver bilhões de reais que já foram distribuídos desde 2012.

Segundo a AGU, isso poderia causar um colapso financeiro em estados e municípios produtores de petróleo, além de gerar muita dificuldade na gestão das contas públicas e uma nova onda de ações na Justiça.

CNM critica postura da AGU

A CNM criticou o posicionamento da AGU e disse que, no passado, o órgão tinha se manifestado a favor da constitucionalidade da lei.

“Eventual alteração de orientação somente se justificaria mediante demonstração robusta e inequívoca de erro jurídico manifesto, teratologia ou fundamento constitucional superveniente capaz de infirmar a posição anteriormente adotada. Na ausência de tal demonstração, a mudança não pode ser interpretada como simples evolução argumentativa, sob risco de sugerir que a defesa da constitucionalidade de norma aprovada pelo Congresso estaria sujeita a conveniências financeiras ou políticas do Executivo”, pontuou a confederação.

Segundo a CNM, a indefinição sobre o tema já gerou perda estimada em R$ 121 bilhões para municípios de estados não produtores de petróleo.

“É profundamente questionável que, às vésperas do julgamento, passados 13 anos, a União mude de posição e fique ao lado da concentração de recursos em poucas localidades e contra 5.300 municípios e 20 estados”, destacou a confederação.

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