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Veja como foram as defesas dos aliados de Bolsonaro no início do julgamento da tentativa de golpe

Primeiro dia teve momentos de tensão entre acusação e defesa; votação deve ocorrer nos próximos dias

Brasília|Iasmim Albuquerque* e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • STF iniciou julgamento de Jair Bolsonaro e sete réus por tentativa de golpe de Estado.
  • Procurador-geral pediu condenação, alegando que o golpe já estava em andamento durante o governo anterior.
  • Defesas questionaram investigações e negaram envolvimento em conspirações, destacando a conduta ética dos investigadores.
  • Julgamento será retomado com sustentações das defesas de outros réus, incluindo Bolsonaro, nesta quarta-feira.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Sessão será retomada às 9h desta quarta-feira (3) TNH1

O STF (Supremo Tribunal Federal) abriu, nesta terça-feira (2), o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. A sessão começou às 9h da manhã, sob a presidência do ministro Cristiano Zanin.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, leu o relatório da ação penal — documento que reúne o resumo de todas as etapas percorridas no processo, desde as investigações até a apresentação das alegações finais. O primeiro dia foi destinado às manifestações da PGR (Procuradoria-Geral da República) e das defesas.

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Acusação e defesas

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a condenação de Bolsonaro e dos demais acusados. Segundo ele, o “golpe já estava em curso” durante reuniões ministeriais ainda no governo do ex-presidente.

“Quando o presidente e o ministro da Defesa reúnem os comandantes das Forças Armadas, que estão sob sua direção, a executar fases finais do golpe, o golpe ele mesmo já está em curso de realização”, constatou Gonet.

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Na abertura, Alexandre de Moraes relembrou as alegações finais da PGR, que mencionam um plano batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, cujo objetivo seria assassinar o próprio Moraes, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice, Geraldo Alckmin. Segundo a acusação, a execução só não ocorreu por “falta de adesão do comando”.

Mauro Cid

Após o intervalo da manhã, começaram as sustentações das defesas. A primeira foi a de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Seus advogados, Jair Alves Pereira e Cézar Bitencourt, questionaram a condução da Polícia Federal na investigação e negaram que tenha havido irregularidades na delação premiada do militar.

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Segundo Pereira, eventuais conflitos de versões não indicam coação ou irregularidade na delação premiada de Cid. Ele também citou um áudio vazado com supostas contradições.

“O que há é o confronto de ideias com a investigação, o que é normal dentro de um Estado Democrático de Direito”, observou o advogado. Pereira ainda ressaltou a conduta da equipe de investigação, classificando-a como “extremamente ética e profissional”.

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Alexandre Ramagem

Seguindo por ordem alfábética, os ministros do STF ouviram a defesa do deputado federal e ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem (PL - RJ).

Na sustentação oral, o advogado do parlamentar defendeu a absolvição da denúncia por organização criminosa contra o ex-diretor da Abin e rejeitou a acusação de que Ramagem teria atuado como conselheiro da trama golpista.

Ramagem reponde a três dos cinco crimes imputados pela PGR. São eles: organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Sobre a Abin Paralela, a defesa afirmou que a PGR teria se equivocado ao citar que o então diretor da Abin possuía acesso ao sistema First Mile, ferramenta usada irregularmente pela agência, e criticou o excesso de documentos anexados pelo órgão, o que teria provocado erros de análise.

A defesa também argumentou que os textos com críticas às urnas reproduziam falas públicas de Bolsonaro, especialmente no contexto da tramitação da PEC do voto impresso.

Nesse contexto, o advogado citou as expressões “voto impresso” e “voto auditável” como sinônimos ao defender que Ramagem não participou da difusão de desinformação para atacar o sistema eleitoral. Na ocasião, a ministra Carmém Lúcia rebateu o advogado, afirmando que as expressões são diferentes.

“Vossa Senhoria usou, com muita frequência, como se fosse a mesma coisa [voto impresso e voto auditável]. Não é. O que foi dito o tempo todo é essa confusão para criar uma confusão na cabeça da brasileira e do brasileiro, para colocar em xeque”, afirmou a ministra.

Almir Garnier

Na sequência, foi a vez do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha. O advogado Demóstenes Torres, que assumiu sua defesa, afirmou que Garnier jamais se envolveu em qualquer conspiração e fez questão de elogiar os ministros da Corte.

“Talvez eu seja a única pessoa no Brasil que gosta do ministro Alexandre de Moraes e do Bolsonaro”, disse Torres, arrancando reações no plenário. Sobre o ex-presidente, chegou a afirmar que, se fosse necessário, levaria “cigarro para ele em qualquer lugar”.

A PGR, por outro lado, sustenta que Garnier colocaria as tropas da Marinha à disposição para viabilizar o golpe. Na opinião dos procuradores, ele fazia parte do “Núcleo crucial” da organização criminosa que tentava impedir a posse do presidente Lula (PT).

Anderson Torres

A defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, negou uma ação direta do réu na tentativa de golpe de Estado. Segundo o advogado, o documento encontrado na casa do ex-ministro era “minuta do Google”.

O advogado também rebateu as acusações da PGR sobre o 8 de Janeiro, Na ocasião, Torres foi acusado de se ausentar do Distrito Federal em meio aos atos.

Torres ocupava o cargo de secretário e Segurança do DF, mas estava de férias nos Estados Unidos. Segundo a defesa, a viagem já estava programada antes dos acontecimentos.

A defesa também negou que o réu, na condição de ministro da Justiça de Bolsonaro, tenha determinado a realização de operações especiais pela Polícia Rodoviária Federal para barrar os deslocamentos de eleitores do presidente Lula no Nordeste, durante o segundo turno das eleições de 2022.

Julgamento continuará nesta quarta

A defesa de Anderson Torres foi a última a apresentar a sustentação oral. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal suspendeu a sessão por volta das 17h55.

O julgamento será retomado nesta quarta-feira (3), às 9h, quando serão ouvidas as sustentações dos advogados de Bolsonaro; do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; do ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira e do general Braga Netto.

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