Daniel Vorcaro faz exames em hospital particular de Brasília
André Mendonça autorizou que empresário saísse temporariamente da prisão para passar por avaliação clínica
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O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi a um hospital particular de Brasília na tarde desta quinta-feira (23) para fazer exames médicos. Ele chegou ao local por volta de 13h30 e deixou o hospital aproximadamente às 14h20.
Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março e foi escoltado até o hospital por uma equipe da corporação.
Ele recebeu autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para deixar a prisão e fazer os exames. A decisão do magistrado é sigilosa e não foi divulgada por questões de segurança. Por isso, não foram revelados detalhes sobre a necessidade de Vorcaro ser submetido a exames médicos.
O empresário foi preso em São Paulo no início de março e levado à Penitenciária Federal de Brasília. Depois, transferido para a PF diante da possibilidade de firmar um acordo de delação premiada. Vorcaro é alvo de investigações relacionadas ao Banco Master.
Negociações para delação
Em março, o banqueiro deu início às negociações para o acordo. O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade com a PGR (Procuradoria-Geral da República) para uma eventual colaboração. A tendência é de que a delação seja efetivada em maio.
Caso Vorcaro decida por esse caminho, ele terá de oferecer informações efetivas e verificáveis, capazes de contribuir concretamente para o avanço das investigações — não basta apresentar relatos genéricos.
As investigações em torno do Master envolvem suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com autoridades públicas.
Riscos à investigação
Ao decretar a prisão, o ministro André Mendonça apontou o banqueiro como líder de uma organização criminosa e afirmou que a prisão preventiva era necessária para garantir a ordem pública e econômica, preservar a instrução criminal e assegurar a futura aplicação da lei penal.
Segundo o magistrado, as investigações sobre o Master indicam que o empresário tentou atrapalhar o trabalho de apuração da PF após sair da cadeia à época da primeira prisão dele, em novembro de 2025.
Entre os elementos citados na decisão está a suspeita de ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em contas ligadas ao pai do investigado para fraudar credores, enquanto o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) teria sido acionado para cobrir um rombo estimado em quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.
A decisão também menciona indícios de que Vorcaro teria comandado um núcleo de intimidação e coerção, usado para monitorar, ameaçar e agredir desafetos, além de suspeitas de tentativa de corrupção de servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas e favorecimento em fiscalizações.
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